Aos 56 anos, "Vovó Eliete" troca o crochê pelas ultramaratonas e planeja correr mil quilômetros
Mãe de quatro filhas e avó de seis netos encontrou na corrida a cura para o sedentarismo
Aos 56 anos de idade, a curitibana Eliete Augusta Marques, conhecida carinhosamente como Vovó Eliete, está desafiando os próprios limites no esporte e já planeja o maior desafio de sua vida: completar uma corrida de mil quilômetros antes de completar 60 anos.
No último dia 30 de maio, a atleta amadora deu mais um passo firme em direção a essa meta ao concluir a ultramaratona de 126 quilômetros em Guaraqueçaba, no litoral do Paraná. Eliete finalizou o percurso em 21 horas, garantindo o primeiro lugar entre todos os competidores homens com mais de 50 anos que participaram da prova.
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Mãe de quatro filhas e avó de seis netos, a ultramaratonista pretende encerrar seu ciclo em corridas de três ou mais dígitos no ano de 2028, justamente com a sonhada prova de mil quilômetros, que exige dez dias de esforço contínuo.
Como preparação obrigatória determinada pela organização da ultramaratona 1000KM Brasil, realizada em São Lourenço, Minas Gerais, ela disputará o percurso de 500 quilômetros em setembro do próximo ano. Antes disso, o cronograma de treinos da corredora inclui a participação em provas menores, de 150 e 200 quilômetros, agendadas para os próximos meses.
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A rotina de preparação de Eliete é intensa e envolve correr pelo menos 200 quilômetros semanalmente, divididos entre segundas, quartas e sextas-feiras, além de praticar musculação duas vezes por semana para fortalecimento. Nas quartas-feiras, ela costuma realizar os treinos mais longos, rodando distâncias que variam de 70 a 100 quilômetros pelas ruas da capital paranaense.
Curiosamente, a atleta afirma que nunca sofreu lesões ao longo de sua trajetória no esporte, o que ela atribui à musculação direcionada e ao fato de correr sem a preocupação com a velocidade, preferindo focar no prazer do percurso, na paisagem e na interação com outras pessoas.
Nascida em Fênix, no Centro-Oeste do Paraná, Eliete mudou-se jovem para Curitiba, onde construiu sua família ao lado do marido, Edson, com quem é casada há 43 anos após se conhecerem por meio de um antigo serviço telefônico de amizades.
Toda a família da corredora compartilha a curiosa tradição de ter nomes iniciados com a letra E, o que inclui suas filhas Erica, Ellen, Evelyn e Emelyn, seus seis netos e até mesmo seus quatro irmãos. Essa marca familiar acabou se estendendo também para o universo das corridas de rua quando a podóloga decidiu transformar seu estilo de vida.
A paixão pelo esporte começou há 14 anos, quando Eliete tinha 42 anos e enfrentava problemas de saúde como pressão alta e excesso de peso, decorrentes de uma rotina sedentária dividida entre o trabalho de podologia e os cuidados com o lar. Por recomendação médica, ela ingressou em um projeto de corrida da Prefeitura de Curitiba na antiga Praça do Skatista.
O que começou com dificuldades para completar uma única volta na praça evoluiu progressivamente para distâncias de cinco, dez, 21 e 42 quilômetros, até sua estreia nas ultramaratonas em 2018. Para a atleta, o esporte substituiu o antigo hábito do crochê e se tornou um momento transformador de reflexão e autoconhecimento.