Adolescente venezuelana é espancada por colegas no Paraná em suposto caso de xenofobia
Jovem de 15 anos sofreu o terceiro ataque desde que entrou na instituição de ensino; família aponta preconceito

Uma adolescente venezuelana de 15 anos foi brutalmente agredida por um grupo de colegas na manhã desta sexta-feira (10), no bairro Universitário, na cidade de Cascavel, região oeste do Paraná. O ataque foi registrado em vídeos que mostram a vítima sendo cercada, derrubada e atingida por diversos chutes e pisões no rosto. Segundo a mãe da jovem, as repetidas agressões são motivadas por xenofobia e bullying, em decorrência da origem da menina e da sua dificuldade em falar a língua portuguesa.
- LEIA MAIS: "Agi por instinto", diz testemunha que interpelou homem que chutou filha no PR
As imagens do episódio revelam diversas estudantes, vestidas com trajes típicos de festa junina, participando diretamente da violência enquanto outras alunas apenas assistem. Após a agressão, a vítima foi encontrada caída na rua por moradoras da vizinhança, que a ampararam e a levaram até a residência de sua família. O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), do Corpo de Bombeiros, foi acionado para prestar o socorro médico. A equipe constatou que a adolescente apresentava inúmeros hematomas e escoriações espalhados pelo corpo, além de ter perdido uma unha durante as agressões.
De acordo com o relato da família, esta já é a terceira vez que a estudante é atacada desde que iniciou os estudos no Colégio Estadual Olinda Truffa de Carvalho. Duas agressões anteriores ocorreram dentro do ambiente escolar e esta última nas proximidades, após o fim das aulas. A mãe desabafou sobre a situação, afirmando que a família se mudou para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas que agora a filha sofre com o medo constante, clamando apenas pelo direito de estudar em paz.
Diante da repercussão do caso, o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Cascavel se pronunciou por meio de nota oficial, informando que a adolescente passa bem e que a direção da escola prestou suporte à família, além de orientar a mãe quanto à necessidade do registro de um boletim de ocorrência. O episódio está sob monitoramento ativo da Polícia Militar, do Conselho Tutelar e dos demais órgãos competentes, que darão andamento às investigações para esclarecer as circunstâncias, identificar todos os envolvidos no ataque e aplicar as medidas legais cabíveis.
