Acusados de atacar jovem com soda cáustica no Paraná vão a júri popular
Crime aconteceu em maio de 2024

Dois anos após o ataque com soda cáustica que comoveu o Paraná, os acusados Marlon Ferreira Lemes e Débora Aparecida Custódio Ferreira enfrentam o Tribunal do Júri nesta segunda-feira, dia 8, a partir das 9h, no fórum criminal de Jacarezinho, no Norte do estado.
O ex-namorado da vítima é apontado como o mentor intelectual do crime, enquanto sua companheira na época teria executado a ação. Ambos respondem por tentativa de feminicídio contra Isabelly Aparecida Ferreira Moro, crime ocorrido em maio de 2024 quando a jovem caminhava em direção a uma academia. Os réus chegam ao julgamento presos preventivamente e com confissões registradas nos autos do processo.
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A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná aponta que o crime foi cometido com três qualificadoras que agravam a pena: meio cruel, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. O juiz Renato Garcia manteve as qualificadoras ao decidir pelo júri popular, considerando que Isabelly foi atacada de surpresa por Débora, que usava peruca e roupas largas como disfarce.
O produto químico corrosivo causou queimaduras de segundo grau no rosto, boca, garganta e peito da vítima, que necessitou de intubação e permaneceu internada por cerca de 30 dias. Conforme as investigações, Marlon planejou o ataque mesmo estando preso por roubo na ocasião, motivado por sentimento de posse e vingança pelo fim do relacionamento, contando com a adesão de Débora, que agiu por ciúmes.
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Em depoimento ao longo do processo judicial, os acusados admitiram a autoria e detalharam a dinâmica do planejamento. Marlon declarou que pretendia apenas dar um "susto" na ex-namorada por supostos deboches na porta da unidade prisional.
Débora revelou que o companheiro comprou a substância antes de ser detido, realizou pesquisas sobre os danos do produto e a orientou a se disfarçar, afirmando que o objetivo dele era deformar o rosto de Isabelly. O assistente de acusação, Ilton Inácio, informou que atuará em plenário com as provas testemunhais e técnicas já colhidas durante a instrução processual para demonstrar a gravidade dos fatos aos jurados.
As defesas dos réus adotam estratégias distintas para o julgamento. A advogada Tatiane Souza Paiva, que representa Marlon, sustenta a tese de que não existem provas seguras de que ele tenha ordenado ou participado do crime e contesta a tipificação de tentativa de feminicídio, alegando a ausência de intenção de matar.
Por outro lado, o advogado Jean Campos, defensor de Débora, argumenta que o julgamento será um espaço para expor um histórico de violência física e psicológica que ela sofria de Marlon. A defesa da executora busca o reconhecimento de que ela também foi vítima do corréu, alegando que agiu sob um ciclo de abusos e opressão emocional do qual não conseguia se libertar.
