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Resultado esquenta debate sobre populismo

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - A "fera do leste", apelido dado à frente fria que tomou a Europa nos últimos dias, arrefeceu, e eleitores italianos puderam votar no domingo sem enfrentar nevascas.

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Mas os resultados trouxeram outra temida criatura ao debate público: o populismo. O partido nacionalista Liga recebeu de 13% a 16% dos votos, segundo pesquisas, e o 5 Estrelas, que contesta o sistema político, teve de 29,5% a 32,5%. Somados, são quase metade do eleitorado.

Há semanas soa o alerta da possibilidade de a Liga integrar o próximo governo italiano. Essa não é exatamente uma novidade na Itália, diz o especialista em populismo Cas Mudde.

"A imprensa está obcecada com o 'crescimento do populismo'", afirma. Toda a atenção dada ao fenômeno contribui para inflá-lo, diz.

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O ex-premiê Silvio Berlusconi, que lidera a coalizão de direita, já formou um governo com a Liga em 1994. A Aliança Nacional, que se descreve como "pós-fascista", também fez parte daquele governo.

Existe também uma importante distância entre discurso e prática na plataforma desses partidos. Berlusconi e seus aliados falam em deportar 600 mil migrantes, uma medida inviável. Assim como é improvável que o 5 Estrelas consiga implementar um salário universal de R$ 3.000, em um país que deve o equivalente a 135% do PIB.

O que é novidade neste ano, porém, é a aproximação entre forças populistas de diferentes países. Steve Bannon, estrategista da campanha de Donald Trump nos EUA, veio a Roma para apoiar a Liga, e afirmou que a Itália representa hoje um "populismo puro". "O povo italiano foi mais longe, em um período de tempo mais curto, do que os britânicos com o 'brexit' e os americanos com Trump", afirmou.

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Mudde não se impressiona. "Líderes da extrema direita já se apoiaram em outros momentos, duvido que eleitores italianos saibam quem é Bannon..."

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