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'Acabamos aturando pequenos abusos e a repetição disso é agressiva', diz Alice Braga

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Atriz brasileira mais bem-sucedida em Hollywood, Alice Braga estará em "Os Novos Mutantes", spin-off da franquia "X-Men" que tem estreia prevista para o início de 2019.

Ainda neste ano, ela volta com a terceira temporada de "A Rainha do Sul", série americana em que vive uma chefe do tráfico de drogas. Alice denunciou a falta de representatividade na equipe da série e acabou surtindo efeito: na temporada seguinte, contrataram uma mulher como roteirista. Ela falou sobre os novos projetos em entrevista à "Cosmopolitan" de março.

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"Na primeira temporada de 'A Rainha do Sul', os roteiristas eram dois homens americanos. Nada contra, mas não tinha um latino e uma mulher entre eles. E a série é protagonizada por uma mulher mexicana. Como vamos conseguir representatividade se nem atrás das câmeras temos isso?", contou à publicação.

Na adolescência, Alice fazia testes para comerciais e conheceu Fernando Meirelles, que a colocou em "Cidade de Deus" (2002). Depois do filme, que concorreu a quatro Oscars, -as portas foram se abrindo-, conta ela, nascida em uma família de atores e diretores, incluindo a tia Sônia Braga.

No início deste ano, Alice foi uma das 300 mulheres de Hollywood a assinar a carta Time's Up ("O tempo acabou", em tradução livre), publicada em 1º de janeiro no "New York Times", e que abalou a indústria do entretenimento com denúncias de casos de assédio.

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Para ela, o mais interessante do manifesto é que ele não apoia só pessoas da indústria, mas mulheres de vários segmentos que continuam vivendo em uma sociedade opressiva e separatista. "Nunca sofri um assédio da forma como as atrizes que vieram à frente contar. Mas acho que acabamos aturando pequenos abusos e passando batido por ser algo a que a gente já está quase acostumada. E a repetição disso é agressiva", afirma.

Dezesseis anos após sua estreia no cinema, a atriz está mais seletiva em relação aos trabalhos e lamenta o drama de viver na ponte aérea. "Se estou no Brasil, fico com saudade das pessoas que estão em Los Angeles, e vice-versa. É superdifícil: ganham-se coisas novas, mas perdem-se outras, como o nascimento do meu afilhado. Mas encaro de maneira tranquila, sou feliz em fazer o que amo, que é atuar", finaliza.

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