ATUALIZADA - Trump dissolve órgão empresarial após novas renúncias de executivos
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (16) a dissolução de dois conselhos consultivos formados por CEOs de empresas.
A decisão ocorreu após oito executivos se demitirem desses órgãos devido aos comentários de Trump a respeito das manifestações de supremacistas brancos na Virgínia, no fim de semana.
"Em vez de pressionar os empresários do Conselho de Indústria e do Fórum de Estratégia e Política, estou cancelando os dois. Obrigado a todos", escreveu o presidente em uma rede social.
Os líderes de companhias como Intel, 3M e Under Armour estavam entre os últimos a renunciar a seus cargos nesses conselhos, após Trump dizer, na terça (15), que "há culpa dos dois lados", ambos "muito violentos", após os incidentes de sábado (12) durante um protesto antifascista contra a marcha de supremacistas brancos em Charlottesville.
Uma mulher morreu e dezenas ficaram feridos após serem atropelados por um dos participantes da marcha batizada como "Unir a Direita".
Denise Morrison, CEO da Campbell Soup --que produz enlatados--, afirmou nesta quarta que estava deixando o conselho de Trump porque "o presidente deveria ter sido, e ainda precisa ser, inequívoco" em condenar os supremacistas brancos.
O primeiro CEO a se retirar, Kenneth Frazier, da farmacêutica Merck, foi alvo de um tuíte de Trump na última segunda-feira (14). "Ele terá mais tempo para abaixar os preços extorsivos dos remédios!", escreveu.
Outras lideranças do Partido Republicano foram mais enfáticas ao condenar os supremacistas brancos. O presidente da Câmara, Paul Ryan, chamou esse grupo de "repugnante".
Os ex-presidentes George Bush pai e filho divulgaram nota em que dizem que a "América deve sempre rejeitar o preconceito racial, o antissemitismo e o ódio em todas as formas".
Em meio à crise, o vice-presidente, Mike Pence, anunciou que irá encurtar sua viagem pela América do Sul e retornar aos Estados Unidos.
Em visita ao Chile, Pence se recusou a responder se concordava com os comentários de Trump, que afirmou ver "boas pessoas" entre os supremacistas brancos, membros da Ku Klux Klan e neonazistas que participaram da manifestação.
"O que aconteceu em Charlottesville foi uma tragédia. E o presidente deixou claro isso, assim como eu", disse o vice-presidente.
Já o comentário do ex-presidente americano Barack Obama sobre o episódio de violência em Charlottesville foi o tuíte mais curtido da história do Twitter.
"Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião", escreveu Obama no domingo (13), reproduzindo frase do líder sul-africano Nelson Mandela.
Até as 19h desta quarta, a mensagem de Obama contava com 3,8 milhões de curtidas e 1,5 milhão de retuítes.
Em uma cerimônia em homenagem à Heather Heyer, 32, jovem morta depois que um carro avançou sobre os manifestantes no domingo, a mãe dela emocionou os presentes. "Tentaram calar minha criança. Adivinhem só? Vocês apenas tornaram ela maior", disse Susan Bro.