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'Não somos moleques', diz delegado da Polícia Civil após Alckmin negar crise

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio à alegada crise da Polícia Civil de São Paulo, a situação entre a corporação e o governo Geraldo Alckmin (PSDB) segue desconfortável.

Em comunicado informal distribuído em grupo de policiais civis no WhatsApp, o delegado geral adjunto Waldir Covino retrucou declaração do governador, que negou a crise na polícia. "Não somos irresponsáveis, mentirosos, moleques", escreveu Covino em texto que se refere a "ataques injustos".

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"Quero informar que a fala do governador causou forte mal estar, por ter afirmado que a Polícia Civil não enfrenta nenhuma restrição orçamentária e que é importante o 'desmentido'", diz Covino. Ele se refere a uma declaração de Alckmin, que em entrevista afirmou que a polícia não passa por problema orçamentário e disse estar investindo na Secretaria de Segurança Pública.

O tucano afirmou ainda que a possibilidade de restrição de combustível é uma "mentira". "Não desinforme seus leitores", disse a jornalistas. "Acho que a polícia de São Paulo é a melhor do Brasil. Não há falta de dinheiro."

Em nota, o Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia de SP) disse que o governo tem trabalhado "de forma incessante" para enfraquecer a Polícia Civil, "sem oferecer qualquer explicação à sociedade".

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Tanto o sindicato quanto Covino afirmaram que a corporação ainda não recebeu os R$ 4 milhões anunciados pelo governo na última semana. Além disso, dizem que para gastos essenciais são necessários R$ 38 milhões, e que a necessidade total supera R$ 114 milhões.

A secretaria foi procurada pela reportagem, mas não se posicionou até o momento.

ENTENDA O CASO

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Na semana passada, após a circulação de um informe de Covino pedindo um plano de contingenciamento aos departamentos da polícia -plano que poderia incluir o fechamento temporário de delegacias e a redução da frota dos carros, por corte no abastecimento dos veículos-, o governo estadual afirmou que liberaria R$ 4 milhões à corporação.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, tal verba já estava prevista como crédito suplementar. O secretário Mágino Alves Barbosa Filho classificou o comunicado do delegado geral adjunto como "precipitado".

Após o anúncio da liberação da verba, o Conselho da Polícia Civil eximiu Covino, afirmando que o pedido era preventivo e que o delegado geral adjunto estava dentro de suas atribuições ao pedir o plano de cortes de despesas aos departamentos.

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