TNOnline

Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Geral

publicidade
GERAL

Festa falha em debates, mas acerta em curadoria diversa

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

MAURÍCIO MEIRELES, ENVIADO ESPECIAL

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - A proposta da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) de fazer neste ano uma festa com convidados menos conhecidos não deu liga -e isso não tem a ver com qualidade literária ou intelectual.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

A organização acertou ao ampliar a diversidade de autores e editoras. Mas a festa sofreu com falta de entrosamento ou incompatibilidade de perfis entre debatedores em parte das mesas. Mediações ruins em debates importantes também contribuíram.

O encontro entre Marlon James e Paul Beatty no sábado (29) ilustra as fragilidades. Os dois lançaram no país romances elogiadíssimos, que renderam o Man Booker Prize.

Mas, enquanto James tratou de forma perspicaz as questões literárias trazidas à tona, Beatty não desenvolveu suas ideias, iniciando grande parte de suas respostas com um "eu não sei", quando não seguia um raciocínio tortuoso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O encontro entre Deborah Levy e William Finnegan, bem como o de Carlos Nader e Diamela Eltit, eram apostas certas, mas também não decolaram.

Houve mediações marcadas por perguntas frívolas e genéricas, em que os moderadores indicavam não ter lido a obra dos entrevistados ou improvisavam em tom excessivamente informal.

Outro ponto negativo foi a ausência de um momento arrebatador protagonizado por um dos convidados, a exemplo da comoção causada por Karl Ove Knausgard em 2016.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Essa crítica de não haver mesa de destaque tem a ver com termos trazido autores que não se enquadram no padrão do mercado, logo são mais desconhecidos", diz Joselia Aguiar, curadora da Flip. "Com o autor mais conhecido você entra em outro nível de interação."

Em 2017, a escalação da Flip trouxe um recorde de mulheres. Elas eram 23, contra 22 homens --sem considerar o compositor André Mehmari, que fez o concerto de abertura. Os negros representavam 30%.

Com olhar para fora do eixo, a curadoria acertou ao valorizar o trabalho de editoras independentes --diminuindo de forma radical a concentração histórica de grandes casas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O trabalho de pesquisa realizado é outro ponto positivo. A literatura de língua inglesa, sempre a estrela da festa, desta vez estava bem menos representada. Entre os convidados, além de Beatty e James, os únicos a escrever no idioma eram Finnegan e Levy.

Ao longo dos anos, sempre que foi criticada pela falta de diversidade, a Flip reconhecia o problema, mas dizia ser reflexo do catálogo das editoras.

PÚBLICO E DESTAQUES

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O público pagante parece não ter se empolgado com a programação. Na igreja, onde os ingressos custavam R$ 55, era comum lugares vazios entre as 450 cadeiras e saída de pessoas no meio do debate. Já na tenda do telão, com 700 lugares, ocorria o contrário -cheia, com público vibrante. A Flip diz que passaram 20 mil pessoas pela festa literária neste ano -em 2016, foram 23 mil.

As redes de ativismo negro se mobilizaram para comparecer à "Flip da diversidade". Na mesa da escritora Conceição Evaristo, a plateia era mais negra do que em qualquer outro debate.

Houve bons momentos na festa. A começar pela abertura, com uma aula dramatizada de Lilia Moritz Schwarcz e Lázaro Ramos sobre Lima Barreto. A novidade substituiu a tradicional conferência sobre o autor homenageado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O encontro entre Noemi Jaffe e Scholastique Mukasonga -com destaque para a mediação sensível de Anabela Mota Ribeiro- comoveu o público.

Outro momento a ser lembrado é a intervenção da professora aposentada Diva Guimarães numa das mesas abertas, entre Lázaro Ramos e Joana Gorjão Henriques. Ela levou o ator e o público às lágrimas ao contar como enfrentou o racismo em sua vida e virou uma celebridade instantânea.

Em nota dissonante da Flip da diversidade, o escritor carioca negro Anderson França precisou cancelar sua participação na programação paralela após receber uma ameaça de morte --ele havia denunciado mensagens de ódio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

IGREJA

A igreja funcionou como espaço para os debates principais e deixou vivo o movimento na Praça da Matriz --mas o aperto, a visibilidade e a acústica do templo foram problemáticos. O formato de anfiteatro da tenda, não montada neste ano, ajudava quem estava nas fileiras do fundo.

A Flip optou por usar o templo católico por falta de verba. O orçamento da festa vem diminuindo R$ 1 milhão a cada ano, desde 2014, e desta vez foi de R$ 5,8 milhões -50% de patrocínio via Lei Rouanet.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Do total, R$ 3,7 milhões são despesas do evento em si, e os demais são custos fixos da Casa Azul, organização que produz o evento.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV