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Venezuela tem ao menos 4 mortos e 4 policiais feridos em meio a protestos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo menos quatro pessoas morreram e quatro policiais ficaram feridos nas últimas 48 horas na Venezuela, em um fim de semana de tensão por causa de protestos contra a eleição da Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro para elaborar uma nova Constituição.

Entre os mortos estão Ricardo Campos, 30, dirigente da oposição que morreu de madrugada em Cumaná, no Estado de Sucre, em circunstâncias que estão sendo investigadas.

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Campos era secretário local para juventude do partido Ação Democrática (AD). Segundo o deputado opositor Henry Ramos Allup, ele foi morto a tiros.

Mais cedo, o Ministério Público informou que José Félix Piñeda, candidato à Assembleia Constituinte, foi morto a tiros no sábado (29), no município de Heres, no Estado de Bolívar.

Até o momento, o Ministério Público não vê motivações políticas nas duas mortes.

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Além deles, dois homens morreram após serem baleados em uma manifestação no domingo contra a eleição da Constituinte.

As vítimas são Ángelo Méndez, 28, e Eduardo Olave, 39, cujos corpos foram encontrados com marcas de tiros em uma escola no setor de Jacinto Plaza, no Estado de Mérida.

Em outro episódio, durante um protesto em Caracas, uma explosão deixou um grupo de policiais ferido e incendiou oito motos em uma avenida importante da capital venezuelana.

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PAZ

Amplamente impopular por governar durante uma grave crise econômica, Maduro prometeu que a Assembleia irá restaurar a paz após quatro meses de protestos da oposição, durante os quais mais de 115 pessoas foram mortas.

Maduro, que tem sido hostilizado em eventos públicos recentes, votou às 6h locais (7h em Brasília) deste domingo, com pouca exposição.

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Os partidos de oposição estão boicotando o que eles chamam de eleições fraudulentas. Seus simpatizantes ergueram barricadas em vias ao redor do país e travaram confrontos com as forças de segurança, que agiram rapidamente para dispersar manifestantes encapuzados.

Críticos dizem que a Assembleia permitirá a Maduro dissolver o Congresso liderado pela oposição, atrasar futuras eleições e reescrever as regras eleitorais para evitar que os socialistas sejam expulsos do poder.

A oposição prometeu redobrar a resistência após o pleito e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor sanções econômicas mais amplas contra a Venezuela, sugerindo o aumento da crise na nação rica em petróleo.

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"Mesmo que vençam hoje, isso não irá durar muito", disse a médica de 60 anos integrante da oposição Berta Hernández. "Continuarei nas ruas porque, em pouco tempo, isso vai acabar".

Maduro, ex-motorista de ônibus e líder sindical eleito em 2013, acusa governos de direita da América Latina e os EUA de tentarem sabotar o "socialismo do século 21".

"O 'imperador' Donald Trump queria tomar o direito de voto do povo venezuelano", disse Maduro ao votar rapidamente em uma área pobre da capital Caracas.

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"Uma nova era de combate começará. Estamos indo com tudo nessa Assembleia Constituinte", acrescentou.

Mas com as pesquisas mostrando que cerca de 70% dos venezuelanos se opõem à votação, o governo de Maduro quer evitar a baixa participação, o que prejudicaria sua legitimidade.

Os 2,8 milhões de funcionários públicos da Venezuela estão sob forte pressão para comparecerem às urnas -dezenas afirmaram à Reuters sofrer ameaças de demissão.

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Os eleitores não são questionados na eleição deste domingo se desejam a Assembleia, apenas escolhem seus 545 membros em mais de 6.100 candidatos que representam uma ampla gama de aliados do Partido Socialista.

Pesquisas sugerem que a grande maioria dos venezuelanos se opõe à Assembleia. A oposição diz que mais de 7 milhões de eleitores -de uma população de cerca de 32 milhões- rejeitaram de forma esmagadora a proposta de Maduro em um referendo não oficial organizado este mês.

Diante da grave crise, milhões de venezuelanos lutam para comer três vezes por dia devido à escassez de produtos e à inflação desenfreada que deixam fora de alcance itens básicos como arroz ou farinha.

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Cenas de venezuelanos revirando lixo ou mendigando por comida se tornaram comum.

"Às vezes, eu deixo de comer para dar aos meus dois filhos", disse Trina Sánchez, de 28 anos, enquanto esperava pelo ônibus para ir ao trabalho. "Isso aqui é uma farsa. Eu quero arrebentar Maduro".

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