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Literatura infantil também deve conter questões sociais, diz escritor

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AMANDA RIBEIRO, ENVIADA ESPECIAL

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - Autores de literatura infantil deveriam deixar de menosprezar as crianças e começar a produzir livros para elas que agreguem questões sociais, afirmou o escritor e professor Edimilson de Almeida Pereira, em debate na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) neste sábado (29).

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Para o autor, a criança é um indivíduo importantíssimo na estrutura social e, por isso, a produção literária voltada a ela não deve ser tratada como nicho. "A criança não pode ser pensada em segmento isolado de uma ordem social complexa. Ela é um elemento importante da constituição da sociedade. Temas que estão na chamada literatura para adulto devem reverberar na produção literária infantil", disse.

A mesa "Ler o Mundo" fez parte da programação da Flipinha e também contou com a participação da escritora e professora Prisca Agustoni. Em um tom acadêmico, mas acessível, os autores discutiram as lacunas da literatura infantil e infantojuvenil brasileira e as possibilidades de ler o mundo a partir de outras linguagens, como a imagética e a oral.

A autora Prisca Agustoni ressaltou durante sua fala a importância do trabalho do artista plástico na construção do livro infantil. Segundo ela, é a partir da imagem que a criança se fascina e faz sua primeira leitura do mundo, ainda antes da alfabetização.

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"A leitura é algo que vai muito além da leitura propriamente escrita. É muito importante ressaltar essa potência do artista para convidar a criança a um tipo de decifração do mundo que é anterior à alfabetização", disse a escritora que, assim como Pereira, produz literatura tanto para crianças quanto para adultos.

Os autores também discutiram um dos paradoxos de autores de literatura infantil: livros para crianças e jovens devem divertir ou educar? Para Pereira, uma coisa não exclui a outra. "Divertir-se já é um processo pedagógico de aprendizagem. O modo que você organiza as coisas para ensinar alguém a entender o mundo não tem que ser sisudo, ele pode ser divertido", diz o autor.

Outra dificuldade apontada na produção de literatura infantil é o fato de que existem muitas lacunas na pesquisa da realidade das crianças. Na historiografia dos séculos 16 a 20, segundo Pereira, a criança é tratada como um pequeno adulto, um indivíduo secundário. Por conta disso, a maior parte da produção literária infantil consistia em adaptações e simplificações de livros adultos.

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A partir do século 20, começou-se a questionar e pesquisar a realidade de crianças e jovens, mas ainda hoje, segundo o autor, a literatura infantil não se desprendeu completamente da adaptação. "É preciso aprofundar um campo teórico de estudo da literatura infantil. Já passou da hora de pararmos de adaptar textos de adultos para crianças. Nós já temos autores suficientes, bons autores, está na hora de termos mais produção original", disse Pereira.

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