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ATUALIZADA - 2 - Professora Diva Guimarães, 77, emociona autores e público com relato sobre racismo

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO, ENVIADA ESPECIAL

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - A professora aposentada negra Diva Guimarães, 77, fez o ator Lázaro Ramos chorar de emoção, foi ovacionada por mais de 500 pessoas e saiu consagrada como a musa da Flip na manhã desta sexta (28).

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Durante a mesa "A Pele que Habito", que reuniu Ramos e a jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques para falar sobre racismo, a paranaense Guimarães pediu o microfone para fazer uma pergunta e acabou concedendo um depoimento sobre discriminação.

Neta de escravos e filha da lavadeira, Guimarães começou a trabalhar aos cinco anos.

"Quando eu era criança, as freiras me contaram uma história de como Deus abençoou um rio e mandou todos os homens tomarem banho nele. Os mais trabalhadores e inteligentes chegaram primeiro, mergulharam no rio e saíram brancos. Já os mais preguiçosos chegaram tarde e só havia um restinho de água. Por isso continuaram negros, só com a palma das mãos e a planta dos pés brancos", disse, entre lágrimas. Diva foi aplaudida de pé.

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Contou ainda que a mãe insistiu que ela estudasse e lavava roupa em troca de material escolar. Guimarães se formou e trabalhou como professora durante 40 anos, alfabetizando crianças e adultos. Hoje, vive em Curitiba com aposentadoria de R$ 1.600.

O depoimento emocionou o público e os autores convidados. "A senhora quer matar a gente", disse Lázaro Ramos, chorando. "Meu coração está pequenininho. A senhora falou uma coisa muito importante precisamos investir em educação pública de qualidade."

O ator foi aplaudido e a plateia começou a gritar "Fora, Temer". Ramos, autor de "Na Minha Pele" (Companhia das Letras), disse que é importante o branco tomar consciência de sua "branquitude".

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"Estou muito feliz de ver essa plateia aqui cheia de brancos, preconceito não é uma questão só dos negros, todo mundo faz parte do problema e da solução."

No debate, Joana Gorjão Henriques comentou sua série de reportagens sobre a herança racista nas ex-colônias portuguesas na África. Para ela, o assunto que é ignorado pelos livros de história do país. "A ideia era desconstruir o mito de que Portugal tinha sido um bom colonizador."

No final da mesa no Território Flip, Ramos leu um capítulo que acabou fora de seu livro. "Não somos só duas coisas, petralhas ou coxinhas, PT ou PSDB. Somos muito mais", leu. "Chamamos os políticos eleitos de governantes e não de servidores públicos, que é o que eles são. A crise não é só política ou econômica, vivemos uma crise civilizatória."

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Ao final, dezenas de pessoas tiraram selfies e abraçaram Diva, que chegou a autografar vários exemplares do livro de Lázaro Ramos.

Foi a primeira vez de Diva na Flip. "Sempre foi meu sonho, agora que estou no bico do urubu, resolvi vir."

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