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Autor de 'São Paulo nas Alturas' relembra era de ouro da arquitetura

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO, ENVIADA ESPECIAL

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PARATY, RIO (FOLHAPRESS) - Uma combinação de políticas públicas equivocadas e conjuntura econômica negativa acabou com a era de ouro da arquitetura modernista no Brasil e explica, em parte, o caos urbano da São Paulo atual.

Em debate na Casa Folha para o lançamento do livro "São Paulo nas Alturas - A Revolução Modernista da Arquitetura e do Mercado Imobiliário nos Anos 1950 e 1960", do selo Três Estrelas, o repórter especial da Folha de S.Paulo Raul Juste Lores disse que sua obra tenta mostrar como a arquitetura brasileira, que nas décadas de 1950 e 60 era referência mundial, acabou degringolando.

"Se você caminha e visita esses prédios em São Paulo, como o Copan, Itália e o Conjunto Nacional, construídos durante o apogeu da arquitetura modernista na cidade), percebe o quanto a gente piorou, não só esteticamente", disse, em conversa mediada pela repórter especial da Folha de S.Paulo Fernanda Mena. O Conjunto Nacional reúne em um mesmo prédio farmácias, lojas, residências e consultórios e é bastante acessível a pedestres.

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"Passadas algumas décadas, temos a avenida Luís Carlos Berrini ou a marginal, onde há inúmeros prédios iguaizinhos, recuados da calçada, não se sabe nem onde é a entrada para pedestres; há andares e andares de escritórios. Onde todas essas pessoas vão almoçar? Isso explica por que São Paulo virou uma cidade tão inviável, para tudo é preciso pegar o carro."

No livro, Lores faz uma espécie de arqueologia afetiva dos prédios, arquitetos e incorporadores da cidade ao mesmo tempo em que revela as dinâmicas e políticas que permitiram seu florescimento e decretaram seu fim.

Nas décadas de 1950 e 60 houve uma associação entre empreendedores incorporadores inovadores, como Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) -que depois viria a se tornar publisher da Folha de S.Paulo- e José Tjurs, e arquitetos talentosos como Rino Levi, David Libeskind, Franz Heep e Oscar Niemeyer. "Os anos 1940 e 50 foram um raro momento: quem tinha dinheiro investia em quem tinha talento", disse o jornalista.

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O país passava por um boom econômico e a arquitetura tornou-se tão representativa do Brasil no exterior quando Carmen Miranda ou Villa-Lobos.

Ao mesmo tempo, houve o maior desenvolvimento de financiamento imobiliário, que permitiu à classe média comprar seus apartamentos em inúmeras prestações. Octavio Frias de Oliveira foi um dos pioneiros e, junto com

Orozimbo Roxo Loureiro, criou um banco de crédito imobiliário e produziu 4.000 imóveis em pouco mais de quatro anos, entre eles o Copan. "Era uma época de otimismo. Se você faz um banco do zero e produz um prédio como o Copan, não tem como não ser otimista."

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Mas uma série de mudanças freou esse avanço da arquitetura. Autoridades aprovaram leis que dificultavam a verticalização de São Paulo no centro, limitando o número de metros quadrados que se podia construir em um determinado terreno. Dessa maneira, havia menos incentivo para construir apartamentos pequenos no centro, que cabiam no bolso de pessoas de menor renda.

"As pessoas de renda menor foram empurradas mais e mais para as bordas da cidade, não importa se era manancial, represa", diz Lores. "A legislação que nós aprovamos não só prejudicou o mercado imobiliário, como fez de São Paulo uma espécie de Los Angeles do terceiro mundo, uma maravilha só para a indústria automobilística."

Posteriormente, a alta da inflação inviabilizou os longos financiamentos a juros tabelados (pela lei da usura) e que haviam permitido à classe média comprar seus apartamentos. Tudo isso abalou o modelo de negócios e muitos incorporadores quebraram.

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Na geração seguinte, o mantra era: construa o prédio bem rápido, com materiais baratos e entregue no prazo. O resultado é a arquitetura padronizada de hoje em dia. "A elite gasta R$ 5 milhões em apartamentos com janelas minúsculas, que parecem prisões", diz.

Para o livro, Lores dedicou quase dois anos de pesquisa exaustiva, muitas vezes sobre arquitetos virtualmente desconhecidos, sobre os quais não havia nada publicado.

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