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ATUALIZADA - Senado chileno libera aborto em caso de estupro, má-formação ou risco

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SYLVIA COLOMBO

MENDOZA, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Numa longa sessão que entrou a madrugada, o Senado chileno aprovou, nesta quarta-feira (19), o projeto de lei que vem sendo impulsado pela presidente Michelle Bachelet, 65, há mais de três anos e que regulamenta o aborto em três situações: risco de vida da mãe, má-formação do feto e estupro.

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O Chile é um dos países mais restritivos do mundo nesse tema e proíbe o aborto em qualquer situação.

O projeto agora volta à Câmara dos Deputados, onde Bachelet tem maioria, para dirimir os pontos onde não houve acordo por parte do Senado e ser votado.

A expectativa é que os parlamentares ratifiquem a proposta nesta quinta-feira (20).

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"Hoje é um dia histórico para a mulher chilena, que ao se encontrar diante dessas situações [risco de vida, má-formação do feto ou estupro], poderá escolher a melhor decisão possível", afirmou a presidente chilena após a votação no Senado.

PROMESSAS

Aprovar uma lei de aborto irrestrita era uma das promessas de campanha de Bachelet quando concorreu para o atual mandato, que teve início em 2014. A atual presidente também havia estado à frente do governo entre 2006 e 2010, quando não conseguiu avançar neste assunto.

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A falta de apoio político no Congresso tornou-se um entrave desde o princípio da atual gestão.

Além do aborto, Bachelet queria ainda convocar uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Carta ao país ?a atual é dos anos da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Não houve, porém, consenso, e o projeto já não será mais possível dentro do pouco tempo que resta de seu mandato ?as próximas eleições são em 19 de novembro.

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Abalada por casos de corrupção envolvendo membros de sua família, Bachelet viu sua popularidade cair para menos de 20% no último ano, inviabilizando as articulações com o Legislativo.

Atualmente, porém, a presidente conseguiu melhorar sua aprovação. Está com 31% e afirmou que, mesmo sem poder substituir a Carta do país, irá buscar aprovar mais reformas na existente, principalmente nos itens referentes à educação, previdência e leis do trabalho.

Cada item sobre o aborto aprovado pelos senadores provocou mais de três horas de debate antes do voto. Também foi aprovada a interrupção de gravidez caso a mãe tenha menos de 14 anos, por enquadrar-se, segundo as avaliações médicas contratadas pelo Legislativo, em uma situação de risco à mãe.

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Parlamentares do bloco direitista Chile Vamos, que se opõem à proposta, afirmam que tentarão incluir na lei a figura da "objeção de consciência", para que médicos que não queiram realizar o procedimento não sejam obrigados a fazê-lo.

Após três horas de debate, a Câmara decidiu continuar a sessão nesta quinta-feira, quando deverá acontecer finalmente a votação do projeto em seu último e terceiro trâmite legislativo.

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