ATUALIZADA - Uruguai inicia a venda legal de maconha nas farmácias
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SYLVIA COLOMBO
MENDOZA, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A venda legal de maconha, produzida e distribuída pelo Estado, começou nesta quarta (19) com filas nas farmácias do Uruguai. Trata-se da última etapa da implementação da chamada Lei da Maconha, aprovada pelo Congresso em dezembro de 2013.
Antes da venda nas drogarias, já vinham funcionando os clubes de cultivo e o autocultivo individual, ambos fiscalizados pelo governo.
Na primeira fase já havia 6.700 pessoas inscritas e agora somam-se os 4.000 indivíduos que se registraram para comprar a maconha nas farmácias do país.
Para tanto, é necessário ser uruguaio ou ter documentação de residência. Cada inscrito pode levar para casa apenas dois envelopes com 5 gramas por semana. Ao todo, por mês, está permitido, portanto, que cada um consuma legalmente 40 gramas.
Os usuários são identificados nos estabelecimentos pelas digitais tomadas no dia do registro. Apenas as autoridades do Ministério de Saúde têm conhecimento da lista dos compradores.
A substância é vendida em envelopes com selo de autenticidade e alertas sobre seus efeitos. Cada grama custa cerca de R$ 4 ?a maior parte vai para os cultivadores da planta, uma parcela fica com as farmácias e outra com o governo uruguaio.
A demora na implementação desta última fase do projeto se deve à cautela dos donos de farmácia, que temem roubos e ataques de quadrilhas de narcotraficantes.
Nessa primeira fase, apenas 30 lojas, em todo o país, estão oferecendo a droga.
"Creio que o número vai aumentar. [Os donos de farmácias] querem provar para ver se não há perigo e, aos poucos, irão aderindo", disse à reportagem, em Montevidéu, há duas semanas, o ideólogo da lei, Julio Calzada.
Para aceitarem vender a droga, as farmácias registradas pediram a instalação de "botões de pânico", para chamar rapidamente a polícia, além de cofres-fortes para guardar o material.
O nome das empresas contratadas para produzir a droga no interior do país também é sigiloso.
"É o que diferencia nosso projeto dos que existem nos EUA ou em outros países. A nossa não é um negócio, é uma medida de saúde pública", disse Calzada.