Columbia faz acordo com ex-aluno inocentado de acusação de estupro
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Universidade Columbia fechou um acordo com um ex-aluno acusado de estupro por uma ex-colega e inocentado pela Justiça dos EUA para dar fim a um processo contra a instituição de ensino por discriminação de gênero.
Paul Nungesser foi acusado em abril de 2013 pela ex-colega Emma Sulkowicz. Segundo a estudante, os dois teriam uma relação sexual consensual meses antes, mas ele a teria atacado com violência para fazer sexo anal.
A Justiça rejeitou o processo por discriminação de gênero, mas manteve o por difamação. No início de julho deste ano, o ex-aluno e a universidade retiraram a ação judicial e, na última quinta, chegaram a um acordo.
Em nota, a Universidade Columbia diz ter reconhecido que "depois da conclusão das investigações [do estupro], os meses restantes de Paul foram muito difíceis e não é o que Columbia espera para seus estudantes".
"A Universidade Columbia vai continuar a revisar e atualizar suas políticas para garantir que qualquer estudante, acusador ou acusado, incluindo aqueles como Paul que foram inocentados, serão tratados com respeito."
Em entrevista à revista "Newsweek", os pais de Nungesser comemoraram a decisão. "Isso vai dar a Paul a chance de se recuperar das falsas acusações contra ele e esperamos que nenhum estudante passe pelo que ele passou."
ENTENDA
O suposto estupro teria ocorrido em 2012. Sulkowicz se juntou à ex-namorada de Nungesser, que também afirmava ter sido agredida, e entraram com um pedido de sindicância no conselho universitário.
Ele foi acusado de abuso sexual por mais três pessoas, mas todos os casos foram desestimados pelas autoridades de Columbia. Uma semana depois, porém, a acusação de estupro chegou ao jornal "The New York Post".
Os cinco casos foram derrubados pelas autoridades de Columbia em novembro. Um mês depois, porém, a acusação de estupro chegou ao jornal "New York Post", que fez sua reportagem sem citar o nome dos estudantes.
Em abril do ano seguinte, Sulkowicz fez uma entrevista coletiva dizendo que tinha sido estuprada. Dias depois, ela e outros 22 estudantes processaram a universidade por ter lidado de forma errada os casos de crimes sexuais.
O nome de Nungesser apareceu na lista de abusadores sexuais da universidade e ele passou a ser investigado pela polícia. Na mesma época, a acusadora fez a ação pela qual o caso ficou conhecido em todo o mundo.
Em um trabalho de artes, saiu pelo campus da universidade, em Nova York, com um colchão, em alusão ao estupro que teria sofrido. A performance foi repetida até que o suposto agressor deixasse a instituição.
O caso foi rejeitado pela Justiça em setembro de 2014 por falta de provas. Oito meses depois, Nungesser abriu o processo contra a universidade em que a acusa de ter sido negligente em relação à perseguição.
Para ele, as autoridades de Columbia o discriminaram por ser homem e o atacaram por sua atividade sexual. Ele pediu uma indenização pela difamação e principalmente por ter permitido a performance de Sulkowicz.