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Assembleia de Minas aprova criação de 800 cargos sem concurso para o MP estadual

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os deputados estaduais mineiros aprovaram um projeto de lei que prevê a criação de 800 cargos de assessores no Ministério Público de Minas Gerais a serem preenchidos por recrutamento amplo, sem a necessidade de aprovação em concurso público. As informações são da Agência Brasil.

O Projeto de Lei 4.361/2017 também prevê a extinção de 825 cargos efetivos, destinados a servidores concursados. Desses, 259 que atualmente estão vagos serão extintos imediatamente e os demais 566 deixarão de existir a partir de sua vacância. Dessa forma, a medida não prevê nenhuma demissão.

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A proposta foi aprovada por 53 votos a 4 e segue agora para sanção do governador Fernando Pimentel.

O projeto tramitava na Assembleia Legislativa de Minas Gerais desde o início de junho e foi apresentado pela Procuradoria-Geral de Justiça, órgão que integra a administração superior do Ministério Público do Estado. No ofício em que justifica a proposta, o procurador-geral Antônio Sérgio Tonet, argumentou que as medidas ?visam modernizar a estrutura administrativa para melhor adequá-la às atuais demandas do parquet e à realidade econômica do país?.

Segundo Tonet, a medida é uma demanda antiga do Ministério Público e a redução das despesas com os cargos de assessoramento pode chegar a 25% em cinco anos e a 50% em 10 anos, "como consequência da diminuição do custo da máquina administrativa e da desoneração com futuras aposentadorias?.

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CONSTITUCIONALIDADE

O Sindsemp-MG (Sindicato dos Servidores do Ministério Público de Minas Gerais) é contra o projeto e enviará parecer jurídico ao governador Fernando Pimentel se posicionando contra a sanção.

Na semana passada, diretores do sindicato foram à Brasília pedir que a OAB avalie a constitucionalidade do projeto.

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Para o sindicato, o Ministério Público tem atuação técnica, de fiscal do cumprimento da lei, e por isso a contratação por concurso garante o bom desempenho das funções do órgão. A entidade teme que a criação dos novos cargos sem concurso estimule a politização do MP de Minas.

O diretor de formação política e sindical do Sindsemp-MG, Luis Gustavo Barbosa Dias, criticou a falta de debate sobre a medida. ?Foi aprovado em tempo recorde e não houve sequer uma audiência pública. O Poder Legislativo é o que deveria estar mais próximo da sociedade e não quis ouvir. E não ignoraram só o sindicato. O concurso garantia 10% das vagas para pessoas com deficiência e 20% para negros. São setores da sociedade que estão mobilizados e também não puderam opinar. Estamos quadruplicando ou quintuplicando os cargos de comissão e ninguém sabe ainda quais critérios serão usados para estas contratações.?

Para o sindicalista, o projeto contraria a Constituição Federal e a história do MPMG ao não prestigiar a meritocracia existente no concurso público. O argumento econômico, principal justificativa do projeto, também seria insuficiente

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para levar o projeto adiante. Luis Gustavo lamenta ainda que os deputados não se preocuparam em investigar se a crise do MPMG é apenas um reflexo da situação do país ou se há gastos excessivos em algumas áreas.

Procurado, o Ministério Público de Minas Gerais ainda não se manifestou sobre a aprovação da proposta.

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