Mentor da Lei da Maconha, no Uruguai, cita maior segurança e qualidade
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SYLVIA COLOMBO
MONTEVIDÉU, URUGUAI (FOLHAPRESS) - Secretário-geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai na gestão Pepe Mujica (2010-15), Julio Calzada é o mentor da Lei da Maconha. Em seu escritório, na Prefeitura de Montevidéu, ele falou à reportagem sobre a lei.
PERGUNTA - A iniciativa da Lei da Maconha não surgiu exclusivamente da esquerda, certo?
JULIO CALZADA - Primeiro vieram as marchas, no início dos anos 2000. Depois, houve três propostas de agrupações de esquerda e uma de Lacalle Pou, do Partido Nacional (liberal). A visão dos liberais era distinta: liberalizar o cultivo, mas sem cuidar do usuário, e penalizar a venda. Já a esquerda ia na linha de regular e tornar o assunto tema de saúde pública.
P - O que fez o debate avançar?
JC - Começaram a ocorrer mortes violentas. A segurança se tornou a maior preocupação dos uruguaios, embora este seja um dos países mais seguros da América Latina.
P - A crise de 2001 foi um detonador dessa situação?
JC - Foi a partir daí que os índices de pobreza e criminalidade foram aumentando e se abriu espaço para o narcotráfico de países vizinhos. Surgiram cartéis locais, e a onda de violência começou.
P - O que distingue a lei é o fato de o Estado produzir a droga.
JC - Não é algo inédito no Uruguai. Já produzimos nosso álcool para impedir a venda de algo sem qualidade.
P - Não houve correria para o registro dos usuários. A lei não é atraente o bastante?
JC - Muitos estão esperando para ver como resulta a experiência. Segundo nossos dados, há 160 mil pessoas no país que consomem maconha ao menos uma vez no ano; 70 mil que o fazem todo mês e 30 mil no dia a dia. Que 11 mil estejam registrados e evitem ir a uma boca de fumo já consideraria boa notícia.
P - Por que o sr. espera êxito?
JC - A maconha é legal aqui há quase quatro anos e não há uma epidemia. Não tem muito mais gente consumindo agora do que havia antes.