ATUALIZADA - Exército iraquiano retoma mesquita que foi símbolo de ascensão do EI
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Exército iraquiano anunciou nesta quinta (29) ter retomado a emblemática mesquita Al Nuri, no centro da cidade de Mossul, das mãos da organização terrorista Estado Islâmico e declarou o "fim do califado" da milícia.
O local, destruído pelos extremistas na semana passada, é onde o líder da facção terrorista, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou um "califado" após a tomada da cidade, em junho de 2014.
O novo avanço das tropas iraquianas indica que a batalha para expulsar os terroristas de Mossul, a segunda maior cidade do país, localizada no norte do Iraque, pode estar perto de acabar.
"O Estado fictício deles caiu", afirmou o brigadeiro-general Yahya Rasul, porta-voz do Exército iraquiano.
Atualmente, os combatentes do EI estão encurralados em uma pequena área da Cidade Velha de Mossul, um território que ainda é densamente povoado. Iniciada em outubro, a ofensiva sobre Mossul tem o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
Ao destruírem a Mesquita Al Nuri, os extremistas sinalizaram que já dão a batalha por perdida. O EI negou ser responsável pela ação, culpando um bombardeio dos EUA pela derrubada.
Construída inicialmente no século 12, a Mesquita Al Nuri ?conhecida também como mesquita Corcunda devido à inclinação de seu minarete? era um dos principais símbolos do Iraque.
O EI, que segue uma linha radical da vertente sunita do islã, destruiu diversos dos patrimônios históricos do país, incluindo a tumba do profeta Jonas, o museu de Mossul e as ruínas de Nimrud.
O Iraque já havia tido boa parte de seu patrimônio arqueológico saqueado ou destruído durante a guerra iniciada pelos EUA em 2003 e a consequente ocupação.
No conflito corrente, milhares de livros e pergaminhos foram destruídos também, em um prejuízo histórico ainda não estimado.
ENCOLHIMENTO
Além de sofrer sucessivas derrotas no Iraque, o EI é alvo de uma ofensiva em Raqqa, sua autoproclamada capital no norte da Síria.
A perda progressiva de territórios nos dois países onde concentra suas bases e campos de treinamento deve enfraquecer a milícia, reduzindo sua capacidade de obter recursos financeiros e de recrutar combatentes.
Por outro lado, analistas avaliam que o movimento pode impelir o grupo a tentar realizar ou incentivar a realização de mais atentados terroristas no exterior, a fim de atrair atenção e projetar uma imagem de reforça, útil no recrutamento de estrangeiros.
Relatório lançado nesta quinta pelo Centro de Combate ao Terrorismo de West Point, uma das principais academias de formação de oficiais dos EUA, alerta, porém, que a facção se mantém ativa em pelo menos 16 cidades sírias e iraquianas.
Segundo o estudo, as condições que permitiram a ascensão do Estado Islâmico persistem na região, e, com elas, a capacidade da milícia de disseminar violência, ainda que com força reduzida.