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Em meio à crise financeira, inscrições no vestibular da Uerj caem 55%

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) divulgou nesta quinta-feira (22), por meio do Fórum de Diretores das Unidades Acadêmicas, uma nota enumerando os efeitos que a crise vem causando à instituição. O documento destaca a queda pela metade do número de inscrições no vestibular.

A declaração de repúdio é endereçada ao governo do Estado, sob gestão de Luiz Fernando Pezão (PMDB), que atrasa recorrentemente pagamentos à instituição. Servidores e docentes ainda não receberam salários de maio deste ano e o 13° de 2016. As informações são da Agência Brasil. ?As recém-encerradas inscrições de candidatos ao vestibular tiveram drástica redução, passando de 80.243 em 2016 para 37.393 este ano, o que significa uma queda percentual de quase 55%. Não bastando o sério prejuízo presente, também começa a ser comprometido o futuro de novas gerações, em especial das classes populares, que dependem da universidade pública para a continuidade de seus estudos?.

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Outro reflexo destacado pelo colegiado foi a redução dos atendimentos no HUPE (Hospital Universitário Pedro Ernesto), em Vila Isabel, zona norte do Rio.

Além dos atrasos nos salários, o documento destaca ainda o não pagamento das bolsas de estudante e o parcelamento em três vezes da remuneração de abril.

O colegiado defende que houve descumprimento da liminar obtida na Justiça Federal pela OAB-RJ, que obriga o governo do estado a pagar os salários dos servidores da Uerj juntamente aos dos profissionais da Seeduc (Secretaria de Estado de Educação).

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O Fórum acrescentou que, apesar da falta de pagamento e da liberação de recursos para a manutenção da universidade, as atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão continuam a ser feitas, embora fora da normalidade. ?Tal esforço, empreendido por todos os profissionais desta relevante instituição, traduz o respeito que temos pela população do estado, em especial por nossos estudantes, bem como o cumprimento de nossa missão como universidade pública de qualidade e socialmente referenciada?, indicou a nota.

RECURSOS

Em resposta à reportagem, a Secretaria de Estado de Fazenda informou que ?o governo do Estado do Rio de Janeiro reconhece a importância da Uerj e tem concentrado esforços na busca de soluções para a superação do atual quadro de graves dificuldades enfrentadas pela instituição?.

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De acordo com a secretaria, a dotação orçamentária da universidade, incluindo pessoal e custeio, atingiu R$ 1,1 bilhão em 2016. Isso significa, segundo o órgão, que 76% do orçamento total da instituição foi efetivamente repassado. ?Os repasses não ocorreram na sua totalidade devido à crise nas finanças estaduais, provocada pela significativa queda na receita de tributos em consequência da depressão econômica do país, pelo recuo na arrecadação de royalties e a redução dos investimentos da Petrobras?, apontou em nota.

Quanto ao 13° salário de 2016, a pasta informou que foram pagos apenas aos aposentados e pensionistas com remuneração bruta de até R$ 3.200, que receberam dia 20 de março. ?O pagamento para os demais segue sem previsão de depósito?, acrescentou.

PEZÃO

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Durante um encontro nesta quinta, no Palácio Guanabara, com representantes do Muspe (Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais), o governador Luiz Fernando Pezão reafirmou que a prioridade do governo estadual é o pagamento dos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas.

Pezão atrelou a regularização dos pagamentos à conclusão da homologação da adesão do estado do Rio de Janeiro ao Regime de Recuperação Fiscal, o que segundo ele deve ocorrer em breve. De acordo com o governador, a partir daí a regularização deve ser feita no prazo de 60 dias.

O plano de recuperação fiscal, com vigência de três anos a contar da homologação pelo presidente Michel Temer, inclui a suspensão do pagamento da dívida do estado com a União e dos bloqueios nas contas do governo fluminense.

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Pelos cálculos da administração estadual, as medidas relacionadas ao regime vão garantir cerca de R$ 62 bilhões aos cofres públicos.

Deste total, R$ 3,5 bilhões se referem aos empréstimos assegurados pela alienação das ações da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), aprovada na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

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