ATUALIZADA - Rainha apresenta ao Parlamento britânico plano de governo de May
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DIOGO BERCITO
MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - A rainha Elizabeth 2ª inaugurou o ano legislativo britânico nesta quarta-feira (21) ao discursar na Câmara dos Comuns, em um dia que ficou marcado por desafios ao governo da primeira-ministra, a conservadora Theresa May.
O discurso da rainha, por tradição, apresenta o programa legislativo para os meses seguintes. O texto é escrito pelo governo e proferido por ela ?Elizabeth falou sentada em um trono, de óculos, lendo de um livreto.
Nos próximos dias, a Câmara dos Comuns deve debater e votar para aprovar ou não os planos para o ano, um processo que é considerado uma espécie de voto de confiança no governo. Ser derrotado indica que não há apoio suficiente.
Vem daí o desafio a Theresa May, cujo Partido Conservador não obteve a maioria parlamentar nas eleições gerais deste mês ?conquistou 318 cadeiras das 650 em disputa quando eram necessárias 326. Assim, ela depende de seu aliado norte-irlandês, o DUP (Partido Unionista Democrático), para aprovar o programa.
Tem havido, porém, atrito entre os partidos, e a aliança ainda não está selada, razão pela qual May corre um risco ao apresentar seus planos legislativos sem ter garantido antes o apoio da Câmara.
O DUP deve exigir uma série de contrapartidas por seu apoio, incluindo um incremento nos fundos do NHS (sistema nacional de saúde).
DIA DE FÚRIA
Ciente dos riscos, o governo redigiu um discurso bastante seguro para ser proferido pela rainha. O texto enfocou o "brexit" e a segurança, temas já bastante discutidos nos últimos meses.
Quanto ao "brexit", a saída do Reino Unido da União Europeia, Theresa May indicou uma série de leis a serem votadas em áreas como migração, comércio e agricultura. Ficaram de fora propostas mais controversas, como a ideia de diminuir o número de refeições nas escolas, que custou votos ao Partido Conservador nestas eleições.
Mas Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, promete impor emendas ao programa do governo, em uma tentativa de minar a confiança na primeira-ministra May.
Ela também será desafiada, durante o dia, por uma série de protestos organizados em um "dia de fúria".
As manifestações foram convocadas como repúdio ao governo após o incêndio da torre Grenfell, ocorrido no último dia 14, em que morreram ao menos 79 pessoas, e os ataques terroristas em Manchester e Londres. Ambos os episódios são relacionados à gestão de May, que aprovou cortes no orçamento das forças de segurança.
O discurso da rainha não incluiu nenhuma menção a uma possível visita do presidente americano, Donald Trump, o que foi lido como um sinal de que a vinda do republicano ?já acordada? pode ser de fato cancelada, como se tem especulado recentemente.
TRADIÇÃO
A abertura do ano parlamentar pelo monarca britânico é uma tradição que remonta ao menos ao século 16 e existe com as cerimônias atuais desde 1852. Esta foi a 64ª vez que Elizabeth 2ª fez o discurso. Ela esteve ausente em 1959 e 1963.