Rainha apresenta ao Parlamento plano de governo de May, que vive desafios
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DIOGO BERCITO
MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - A rainha Elizabeth 2ª inaugurou o ano legislativo britânico nesta quarta-feira (21) ao discursar à Câmara dos Comuns, em um dia que será marcado por desafios ao governo da primeira-ministra conservadora, Theresa May.
O discurso da rainha, por tradição, apresenta o programa legislativo para os meses seguintes. O texto é escrito pelo governo e proferido pela monarca -Elizabeth falou sentada em um trono, de óculos, lendo de um livreto.
Nos próximos dias, a Câmara dos Comuns deve debater e votar para aprovar ou não os planos para o ano, um processo que é considerado como uma espécie de voto de confiança no governo. Ser derrotado indica que não há apoio o suficiente.
Vem daí o desafio a Theresa May, cujo Partido Conservador não obteve a maioria parlamentar nas eleições gerais deste mês -com 318 cadeiras numa Casa de 650, ficaram faltando oito assentos. Ela depende de seu aliado norte-irlandês, o DUP (Partido Unionista Democrático), para aprovar o programa.
Tem havido porém atrito entre os partidos, e a aliança ainda não está selada, razão pela qual May corre um risco ao apresentar seus planos legislativos sem ter garantido antes o apoio da Câmara.
O DUP deve exigir uma série de contrapartidas por seu apoio, incluindo um incremento nos fundos do NHS (sistema nacional de saúde).
"DIA DE FÚRIA"
Ciente dos riscos, o governo redigiu um discurso bastante seguro para ser feito pela rainha. O texto se centrava no "brexit" e na segurança, temas já bastante debatidos nos últimos meses.
Quanto ao "brexit", a saída britânica da União Europeia, May indicou uma série de legislações a serem votadas em áreas como migração, comércio e agricultura.
Ficaram de fora propostas mais controversas, como a ideia de diminuir o número de refeições na escola, que custou votos ao Partido Conservador nestas eleições.
Mas Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, promete impor emendas ao programa do governo, em uma tentativa de minar a confiança na primeira-ministra May.
Ela também será desafiada, durante o dia, por uma série de protestos organizados em um "dia de fúria".
As manifestações foram convocadas como repúdio ao governo após o incêndio da torre Grenfell, onde morreram ao menos 79 pessoas, e ataques terroristas em Manchester e Londres. Ambos os episódios são relacionados à gestão de May, que aprovou cortes no orçamento das forças de segurança.
O discurso da rainha não incluía nenhuma menção a uma possível visita do presidente americano, Donald Trump, no que foi lido como sinal de que a vinda do republicano -já acordada- pode ser de fato cancelada, como se tem especulado recentemente.
PRÍNCIPE PHILIP
A inauguração do ano parlamentar pelo monarca britânico é uma tradição que remonta ao menos ao século 16, e existe com as cerimônias atuais desde 1852. Costuma haver um por ano. Esta foi a 64ª vez em que Elizabeth fez o discurso. Ela esteve ausente em 1959 e 1963.
Era esperado que seu marido Philip, o duque de Edimburgo, participasse da cerimônia. Ele foi, porém, internado como "medida de precaução" para tratar uma infecção. Não foram dados mais detalhes sobre sua situação. O príncipe Philip, 96, aposentou-se em maio de suas funções públicas.