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Profissionalização da política trouxe desencanto, diz representante latina na assembleia

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - "Não ter experiência em política não significa não ter nenhuma experiência. Significa trazer novas habilidades e novos pontos de vista à Assembleia

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Paula Forteza, 30, é um dos rostos da nova França que o presidente, Emmanuel Macron, promete construir.

Jovem, empresária e nunca antes eleita a um cargo público, ela concorre no fim de semana às eleições legislativas para a circunscrição da América Latina e do Caribe --se escolhida, representará os cerca de 20 mil franceses que vivem no Brasil.

No primeiro turno do pleito, ela recebeu 43% dos votos. O segundo colocado, Sergio Coronado, teve 23%. A segunda rodada será disputada no domingo (18), mas os franceses fora do país devem votar um dia antes.

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Forteza nasceu em Paris. Filha de argentinos, foi criada em Buenos Aires. Ela trabalhou com transparência e empreendedorismo.

Apesar de ter contribuído para iniciativas do governo, ela nunca atuou profissionalmente como política, assim como metade dos candidatos do movimento de Macron, o República em Frente!

Uma das críticas frequentes a esses candidatos é sua inexperiência, em uma Assembleia que discutirá a próxima legislação. Forteza, tatuada com uma flor-de-lis, símbolo francês, discorda. "A profissionalização da política é uma das razões para o desencanto que vivemos.

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Pergunta - O que atraiu a sra. ao República em Frente?

Paula Forteza - Acredito na renovação da classe política e na necessidade de trabalharmos juntos, a esquerda e a direita. Os franceses estão desencantados com a política. Não se sentem representados. Sabia que Macron queria abrir seu movimento a mulheres e pessoas que nunca haviam sido eleitas antes.

A plataforma de Macron pede a inclusão de mais mulheres, jovens e membros da sociedade civil. Por quê?

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Precisamos incluir novos rostos na nossa classe política para renovar a nossa relação com os cidadãos. A República em Frente! está fazendo algo que deveria ter sido feito há muito tempo --que a Assembleia represente a população.

Mas não é arriscado eleger uma Assembleia de pessoas sem experiência política?

A profissionalização da política é uma das razões para o desencanto que vivemos. As pessoas querem mais diversidade nos perfis dos legisladores. Mas insisto em que não ter experiência em política não significa não ter nenhuma experiência. Significa trazer novas habilidades e novos pontos de vista à Assembleia.

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A sra. de fato já tinha tido algum contato com a política, na Argentina.

Fundei um escritório do Partido Socialista em Buenos Aires. Mas com o tempo me decepcionei pelo quão hierárquica era a visão de política das siglas tradicionais.

Sua campanha teve algum enfoque específico nos franceses que vivem no Brasil?

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O Brasil é o país com mais franceses na América Latina, cerca de 20 mil. Visitei as comunidades em São Paulo e no Rio. Meu companheiro de chapa, Mathieu Lebègue, vive em São Paulo. O escritório brasileiro do República em Frente! é bastante ativo e puderam organizar eventos em cidades menores, como Curitiba, Porto Alegre e Recife.

Qual é seu apelo a esses eleitores, em especial?

Um dos principais eixos da minha campanha é criar mais espaços para a participação da população, e acho que isso é essencial para representar uma circunscrição tão grande quanto a América Latina. Quero incluir os cidadãos no trabalho legislativo.

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A sra. enxerga semelhanças entre Macron e o presidente brasileiro, Michel Temer? Ambos defendem reformas nas leis trabalhistas.

Não diria que eles são semelhantes, e precisamos ser cuidadosos ao comparar iniciativas de reforma trabalhista. É necessário encontrar um equilíbrio entre modernizar a economia para criar empregos e um sistema social que proteja os cidadãos.

A sra. não se preocupa que as reformas sejam impopulares?

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Acho que as reformas não vão ser tão impopulares quanto pensamos. Por exemplo, Macron é a favor de estender o seguro-desemprego a jovens empreendedores e aumentar os impostos das empresas que recorrem muito a contratos temporários e curtos.

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