Plano curdo de realizar consulta separatista no Iraque gera apreensão
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Líderes do Oriente Médio e do Ocidente reagiram com apreensão ao recente anúncio da minoria étnica curda de que pretende organizar um plebiscito sobre sua independência territorial no Iraque, expressando temores de divisão na luta contra o terrorismo.
O presidente do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, declarou na quarta-feira (7) que a região autônoma pretende organizar um plebiscito separatista em 25 de setembro. Uma esperada vitória do "sim" na consulta fortaleceria a posição dos curdos em negociações com o governo iraquiano.
Bagdá criticou nesta sexta-feira (9) a proposta de consulta curda. O porta-voz do governo, Saad al-Haddithi, disse que "todos os iraquianos devem ter voz para definir o futuro de seu país" e que deve-se prezar por um "consenso nacional". "Nenhum partido pode, sozinho, decidir o futuro do Iraque de maneira isolada", afirmou.
Após a invasão americana de 2003, que derrubou o regime do ditador Saddam Hussein e instaurou um governo controlado pela maioria xiita, os curdos no Iraque conquistaram maior autonomia, contando com um governo regional e forças armadas próprias, conhecidas como peshmerga.
Além dos impactos sobre o futuro político dos curdos na região, um plebiscito separatista no Iraque traria implicações econômicas. O Curdistão iraquiano está localizado em um território rico em petróleo, o que aumenta as resistências de Bagdá ao movimento de independência.
ESTADOS UNIDOS
Os Estados Unidos disseram na quinta-feira (8) entender as "aspirações legítimas" dos curdos iraquianos, mas ressaltaram que defende a integridade territorial do Iraque.
O Departamento de Estado americano afirmou que o plebiscito separatista geraria distrações em relação a outros problemas, como o combate ao Estado Islâmico. As tropas peshmerga são um aliado importante do Exército iraquiano e dos Estados Unidos na operação para expulsar a organização terrorista da cidade de Mossul, seu bastião no Iraque.
A Alemanha, importante parceiro militar e econômico dos curdos iraquianos, alertou contra "passos unilaterais" que podem comprometer a unidade do Iraque. "Redesenhar as linhas do Estado não é o caminho certo e pode piorar uma situação que já é difícil e instável", disse na quinta-feira Sigmar Gabriel, ministro das Relações Exteriores alemão.
Os curdos são uma minoria étnica que ocupa um território que se estende por Síria, Turquia, Iraque e Irã. Considerados a maior população apátrida do mundo, os curdos são historicamente reprimidos pelos governos da região, que temem que uma eventual independência em algum país estimule movimentos separatistas em outras partes.
O premiê da Turquia, Binali Yildrim, disse nesta sexta que o plano de organizar um plebiscito separatista no Iraque é "irresponsável". "Nossa região já tem problemas o suficiente e não pensamos que seja certo criar novos problemas", afirmou.
O Estado turco enfrenta há três décadas uma insurgência da milícia curda PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) no sul do país.