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Semana de Arte se anuncia como a feira que não quer ser só feira

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SILAS MARTÍ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Num café da manhã na cobertura do Unique, os organizadores da Semana de Arte, feira marcada para agosto em São Paulo, anunciaram nesta quarta (31) os detalhes do evento que vai ocupar o subsolo do hotel dos Jardins com 35 galerias.

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Os galeristas Luisa Strina e Thiago Gomide, o curador Ricardo Sardenberg e o produtor Emilio Kalil são os responsáveis pelo evento comercial que deve se tornar um concorrente da SP-Arte, maior feira do país e até agora sem um rival de peso.

Mas sem a palavra feira no nome -e a SP-Arte também aboliu o termo e passou a se chamar festival-, a Semana da Arte se desenha como um concorrente-butique, para os VIPs, com ingressos a R$ 80 e galerias do primeiro escalão escolhidas a dedo por Sardenberg, sem passar pelo filtro de um comitê de seleção.

Mesmo pequena em escala, a Semana de Arte, que organiza em torno do evento comercial uma série de espetáculos de música, dança e teatro, terá um orçamento de gente grande -R$ 3 milhões, sendo R$ 2 milhões vindos de verbas incentivadas que ainda tentam captar.

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Essa extinção da palavra feira do nome desses eventos, aliás, não é mera tendência. É um movimento ancorado em tornar mais legítimo o recurso a verbas públicas usadas para bancar eventos em grande parte destinados a gerar lucro para o mercado de arte.

"É um jogo contábil e administrativo, uma maneira de criar reservas para o futuro, para que as coisas não sejam feitas às pressas", disse Kalil, justificando o uso da Lei Rouanet. "E não estamos fazendo uma feira, é uma semana. Não é um jogo de palavras."

Nesse sentido, a Semana de Arte já desponta seguindo os passos da gigante SP-Arte, que vem fazendo uso de verbas públicas ao longo dos últimos anos e ainda se beneficia de isenção de impostos estaduais concedidos pela Secretaria da Fazenda paulista.

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Entre os eventos já no calendário da Semana de Arte, estão um show da cantora Maria Bethânia, um espetáculo da dança organizado pela coreógrafa Helena Katz, que deve explorar a relação entre dança e arte contemporânea, e apresentações teatrais.

Na lista de galerias, estão casas do primeiro escalão paulistano, como Luisa Strina, Nara Roesler, Millan e Vermelho, além de emergentes de peso, como Mendes Wood DM e Jaqueline Martins.

Na ala das estrangeiras, estão nomes fortes do cenário internacional, como as nova-iorquinas Luhring Augustine e Alexander and Bonin, a londrina Sprovieri e Elba Benítez, de Madri.

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