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Morador fala em sumiço de bens após operação na cracolândia

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ARTUR RODRIGUES E MARLENE BERGAMO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A única relação com o crack era o endereço. Mas isso não evitou que dezenas deles tivessem suas vidas chacoalhadas na esteira da ação do poder público na cracolândia.

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Dez dias após a operação policial, pessoas de baixa renda que moram no perímetro original da cracolândia do centro de SP relatam que perderam todos os bens e vivem de doações.

A ação policial nas ruas Helvétia e Dino Bueno, no dia 21, incluiu incursões a locais suspeitos de abrigar traficantes e o consequente esvaziamento desses imóveis. Os moradores afirmam que tiveram os bens levados por caminhões que seriam da prefeitura ou saqueados por usuários de drogas.

A gestão Doria (PSDB) planeja desapropriar os imóveis para construir habitações e equipamentos públicos na área.

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Parte dos imóveis foi emparedada com blocos de concreto, impedindo o acesso. Outras construções foram reabertas. "Hoje eu durmo de favor em uma cama de solteiro com meus três filhos de 12, 9 e 2 anos", diz Silvia Henrique de Souza, 31.

Ex-usuária de crack, ela conseguiu montar seu quartinho com cama de casal, TV e eletrodomésticos. Ela diz que o que restou foi a roupa do corpo e a vontade de voltar a fumar a pedra que nunca some.

"No fim da operação, vi várias televisões estraçalhadas no chão", diz. "Disseram que acabaram com a cracolândia, mas acabaram com a gente".

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A diarista Alexsandra Veloso Trindade, 25, está em situação semelhante: com três filhos e apenas um colchão para dormir.

Altos preços nos aluguéis e remoções pavimentaram seu caminho até a cracolândia. Antes de lá, a última casa que teve de deixar foi um cantinho na ocupação do antigo Cine Marrocos, que passou por reintegração de posse em outubro de 2016.

No dia da ação policial na cracolândia, Alexsandra estava fora de casa passeando com as crianças. "Quando cheguei, encontrei apenas algumas roupas no chão. Cama, fogão, geladeira, uma cômodazinha que eu colocava minhas roupas. Tinham levado tudo", afirma. Vivendo com parentes, ela espera o cadastro de bolsa-aluguel.

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A prefeitura nega ter retirado os pertences dos moradores. Afirma que estabelecimentos comerciais foram parcialmente emparedados para permitir a retirada dos bens e que os funcionários concluíram o serviço, após o esvaziamento.

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