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MEC libera educação à distância nos anos finais do ensino fundamental

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PAULO SALDAÑA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um decreto do MEC (Ministério da Educação) autorizou a adoção de ensino a distância em qualquer disciplina dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). A oferta fica liberada para alunos que estejam "privados da oferta dessa disciplina", o que inclui a falta de professores contratados, por exemplo.

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O mesmo texto ainda flexibiliza as regras para a oferta de EAD (Ensino a Distância) no ensino superior.

O decreto 9.057 foi publicado nesta sexta-feira (26) no "Diário Oficial" da União. Ele regulamenta um artigo da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação sobre a oferta de EAD em todos os níveis da educação.

Antes disso, a adoção de EAD no ensino fundamental era restrito a duas circunstâncias: complementação de aprendizagem e situações emergenciais. O novo texto, entretanto, amplia essa condição de emergência, autorizando a modalidade para disciplinas obrigatórias do currículo escolar.

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A oferta de ensino fundamental na modalidade a distância, diz o decreto, se refere a pessoas que "estejam matriculadas nos anos finais do ensino fundamental regular e estejam privadas da oferta de disciplinas obrigatórias do currículo escolar".

O Brasil vive uma crise nos anos finais da educação básica, com resultados estagnados em níveis muito baixos. Dos cerca de 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos que estão fora da escola, metade abandonou os estudos ainda no fundamental. A etapa também não tem apurado a melhoria de resultados dos anos iniciais.

Com a reforma do ensino médio, aprovada neste ano após tramitação de medida provisória, o MEC já havia flexibilizado a adoção de ensino a distância nesta fase.

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Amábile Pacios, diretora da Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares) diz que a legislação é positiva. "Não vai piorar a situação, mas depende de como se fará essa oferta", disse ela durante o Congresso Brasileiro de Ensino Superior Particular, que ocorre até sábado em Gramado (RS). "É uma possibilidade de ampliar o currículo, como na oferta dos itinerários do ensino médio".

A reforma do ensino médio prevê que em torno de metade da grade curricular seja uma comum a todos, com conteúdos definidos pela Base Nacional Comum Curricular. O restante deve ser por área de conhecimento, a partir da escolha do aluno. As áreas previstas são matemática, linguagens, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico.

A existência dessas opções para os alunos dependerá das escolas e redes. A base para o ensino médio ainda está em discussão dentro do MEC e não deve ficar pronta neste ano.

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POLOS

Já no ensino superior, a nova regulamentação tira a necessidade de autorização prévia do MEC para abertura de polos para educação a distância. Os alunos dessa modalidade precisam realizar atividades, como avaliações, nesses polos, o que vincula a oferta de cursos à existência desses espaços.

Agora, as instituições que tiverem autorização do MEC para cursos a distância terão autonomia para a abertura dos polos. O decreto prevê, entretanto, que essa expansão dependerá dos indicadores de qualidade.

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Os critérios para isso serão definidos em regulamentação futura. Representantes das instituições privadas de ensino superior indicam que, nas conversas com o MEC sobre essa legislação, a regra sobre quantidade de polos por instituição estará ligada às notas nos indicadores de qualidade garantidas pela instituição. Quanto maior a nota, mais polos a instituição poderá abrir.

Com o esvaziamento de recursos do Fies (financiamento estudantil do governo federal), o setor privado vê no EAD o maior potencial de expansão de matrículas no ensino superior. As instituições privadas sempre se queixaram da morosidade do MEC para a aprovação de polos.

Janguiê Diniz, presidente da ABMES (Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior), considerou a decisão uma "modernização" do setor educacional. "Confere mais autonomia para as instituições, desde que olhando a qualidade", diz.

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"É uma atitude de vanguarda, Brasil se equipara ao que acontece por exemplo nos Estados Unidos. Existe a avaliação e depois as instituições tem autonomia para a expansão". Janguiê é dono da Ser Educacional, um dos maiores grupos de educação superior do país.

Os indicadores de qualidade do ensino superior calculam hoje as modalidades EAD e presencial de forma conjunta. Assim, não é possível atualmente detalhar a qualidade dos cursos à distância de forma separada.

Segundo Rodrigo Capelato, do Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior), diz que os indicadores podem ser aperfeiçoados nesse sentido, usando, inclusive, informações que o MEC já colhe. "Vai melhorar a ampliação de oferta de cursos, gera diversidade e maior competição", diz.

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O decreto permite que os polos sejam criados em parcerias com instituições não educacionais. As instituições públicas que não tinha autorização para EAD receberam credenciamento automático para a modalidade, segundo o texto.

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