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ATUALIZADA - Gestão Doria citou médicos à Justiça sem avisá-los

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FERNANDA PERRIN, NATÁLIA PORTINARI E LEANDRO MACHADO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pedido de internação forçada de usuários de drogas feito à Justiça pela gestão João Doria (PSDB) usou como justificativa a opinião de três especialistas dada em duas reportagens, de 2011 e 2013.

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A ação cita três frases, identificando as reportagens das quais foram retiradas, como exemplos de gente favorável à internação compulsória.

Nenhum dos médicos citados no pedido foi consultado pela prefeitura para avaliar a aplicação da medida no caso de usuários da cracolândia.

O pedido à Justiça foi feito na terça (23). A gestão Doria quer aval para internações à força desde que aprovado por equipe de médicos e psicólogos. Hoje, para internar alguém compulsoriamente, além de avaliação médica, é necessário aprovação de Promotoria e Justiça -em casos analisados individualmente.

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Além da Defensoria Pública, a Promotoria também se manifestou nesta quinta (25) contra a intenção da gestão Doria de obter essa carta branca para internar à força.

Questionada, a prefeitura afirma não ter usado apenas frases, uma vez que também anexou as reportagens completas ao pedido. "O texto buscou dar um contexto ao juiz, buscando para isso dar também um histórico do problema que assola a cidade há 20 anos", informou.

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A ação civil cita o psiquiatra Arthur Guerra, professor da Faculdade de Medicina da USP, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor da Unifesp, além do médico e escritor Drauzio Varella.

"Eu não defendo internação compulsória como política pública, isso é um absurdo completo. Eu nunca disse que acho que se resolve a cracolândia com internação compulsória", disse Varella.

No documento protocolado pela prefeitura, a frase de Varella foi retirada de entrevista dada à revista "Época" em 2011, em que o médico diz apoiar a internação compulsória como recurso extremo.

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Guerra, da USP, também negou ter sido consultado.

"Se eu dei essa entrevista [em 2013], eu nem lembro", afirmou o psiquiatra. Ele disse estranhar essa prática vindo da gestão Doria. "Isso não é padrão do prefeito."

Para Guerra, a internação compulsória deve ser usada somente em "situações raríssimas". Na ação civil pública, a prefeitura afirma ter 270 vagas disponíveis para esse tipo de tratamento.

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Laranjeira, da Unifesp, confirmou que não foi procurado pela prefeitura, mas não deu entrevista por estar em viagem.

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