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ATUALIZADA - Gestão Doria põe guarda para fiscalizar entrada da cracolândia

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ARTUR RODRIGUES, PAULO SALDAÑA E ROGÉRIO PAGNAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão João Doria (PSDB) criou barreiras formadas pela GCM (Guarda Civil Metropolitana). Os agentes estão barrando, principalmente, barracas, carroças e lonas para evitar que os dependentes químicos se instalem novamente no local.

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Segundo a atual gestão, a corporação permanecerá no local para evitar o retorno dos usuários. Durante a campanha para prefeito, o deputado federal e então candidato Celso Russomanno (PRB) havia proposto tática semelhante para sufocar a venda de drogas na vizinhança.

O MP (Ministério Público) vai abrir inquérito para investigar a ação realizada pelo governo do Estado e prefeitura na região da cracolândia. As ações teriam vários pontos contrários ao que fora acordado em várias reuniões da prefeitura com o MP e Defensoria, segundo o promotor Arthur Pinto Filho, de direitos humanos e saúde pública.

O inquérito, que pode gerar uma ação civil pública, vai apurar três principais pontos: por que a prefeitura não encaminhou para acolhimento as pessoas que estavam em hotéis no âmbito do programa Braços Abertos; a ação da PM, a partir desta segunda (22), de dispersar usuários de drogas (indo além da prisão de traficantes) e possível desvio de função da GCM.

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Para o promotor, não estaria nas atribuições da GCM a revista e dispersão de pessoas. "Se ela estiver em desvio de função, o próximo passo é verificar se a ordem partiu do comando. Se partiu do prefeito, a responsabilidade seria do prefeito. Mas quem comanda a guarda é o comandante."

Ele afirmou que a retirada das pessoas de hotéis conveniados não é correta. "A prefeitura esta fechando os hotéis e colocando as pessoas para fora; elas estavam em um programa municipal, em contato com agentes de saúde, agora não têm para onde ir."

O promotor diz que houve ao menos quatro reuniões, duas delas com o próprio prefeito, para discutir o desenho do projeto Redenção ? ideia de Doria para substituição do Braços Abertos, criado por Fernando Haddad (PT).

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"O projeto não teria nada do que ocorreu, a polícia serviria para dar suporte para a operação, que seria feita pelos agentes de saúde", diz ele, afirmando que a ação reflete o projeto inicial apresentado por Doria, que colocava a polícia no comando.

Segundo o promotor, o próprio prefeito teria dito ao MP que a polícia seria "o último vagão da operação".

Apesar de a ação ter começado domingo (21), só em sete dias a prefeitura vai implantar um centro psicossocial (Caps) para dar assistência ambulatorial aos viciados.

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O comando-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Nivaldo Cesar Restivo, disse que o efetivo empregado na região central da capital foi ampliado em 67%, de 120 para 200 policiais, que ficarão dentro e no entorno da cracolândia.

Esse contingente, segundo ele, será empregado no policiamento ostensivo da área e não na remoção de usuários.

"Esse efetivo está lá para manter as condições de estabilidade alcançadas ontem [21/5] no final operação. A atuação da Polícia Militar em relação ao usuário, o que nós adotamos é informar o órgão da prefeitura onde há aglomeração de dependentes para que a ação de saúde e ação social seja direcionada para aquela local", disse.

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No decorrer desta segunda, viciados passaram a se concentrar em vários pontos do centro. Um desses locais era próximo da Sala São Paulo, na praça Júlio Prestes, e na avenida Duque de Caxias.

Dono de uma lanchonete no local há 30 anos, Nel Saad, 50, afirma que a ação apenas transferiu o problema de lugar. "Se não colocarem em nenhum lugar os viciados, vai ser como tirar da minha casa e colocar na sua", diz.

A agente de turismo Denise Santos, 41, está otimista. "Tenho fé que que dessa vez melhore. Os clientes não estavam mais vindo", disse.

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