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'Sou rebelde, não me conformo', diz Nicole Kidman em Cannes

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GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL*

CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Nicole Kidman ganhou um apelido: Rainha de Cannes. Isso porque a atriz deverá cruzar a Croisette, o bulevar que margeia a praia na cidade do sul da França, quatro vezes até o fim do festival.

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Ela soma múltiplas produções na atual edição da mostra europeia, duas delas em competição: os filme "O Estranho que Nós Amamos", de Sofia Coppola, e "The Killing a Sacred Deer", de Yorgos Lanthimos. As outras são "How to Talk at Girls at Parties", filme de John Cameron Mitchell fora da disputa, e a série "Top of the Lake".

"Sempre tive um espírito rebelde, de não me conformar com as coisas", disse a atriz logo após a exibição para a imprensa do filme de Lanthimos. "Há sempre um risco quando se escolhe o projeto de um diretor, e eu sou a favor de assumi-lo."

Em "The Killing of a Sacred Deer", ela faz uma mãe de família afrontada pela presença sinistra do jovem paciente de seu marido (Colin Farrell).

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Como nas demais obras do grego Lanthimos, há espaço de sobra para a sordidez das situações. O título -a morte do cervo sagrado- entrega que o filme é, antes de tudo, uma alegoria sobre a ideia do sacrifício.

Na mitologia grega, a morte de um dos cervos da deusa Ártemis desencadeia uma maldição e uma consequente ordem de reparação e é em torno dessa ideia que se orienta o filme.

"A ideia do sacrifício está sempre presente na mitologia, faz parte da humanidade", disse o diretor, que tem nesse longa mais uma produção que evoca nome de algum bicho. Lanthimos é também diretor de "O Lagosta" (2015) e "Dente Canino" (2009) -obras que também circulam no plano simbólico e são carregadas de algum senso de violência psicológica.

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Ainda que tenha se sentido "hipnotizada" ao assistir ao filme, Kidman diz que não pretende assistir o violento "The Killing of a Sacred Deer" junto de seus filhos. "Eu separo bem a minha vida criativa da minha família", disse.

*O jornalista GUILHERME GENESTRETI se hospeda a convite do Festival de Cannes

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