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Trump testa sua política no Oriente Médio

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Quando, neste domingo (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, desafiar líderes de dezenas de países de maioria muçulmana reunidos na Arábia Saudita a "abraçarem um futuro melhor para sua fé" --nas palavras do próprio Trump--, será inevitável a comparação com o discurso proferido há oito anos por Barack Obama no Cairo.

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Obama, que também estava havia menos de cinco meses na Casa Branca, defendeu um "novo começo" na relação entre os EUA e os muçulmanos em todo o mundo.

Trump, por sua vez, quer "confrontar a ideologia radical" e promover uma "visão pacífica do islã". E continuou, na última semana, usando o termo "terrorismo islâmico radical", considerado ofensivo por grande parte dos muçulmanos.

O discurso se insere numa programação que inclui reuniões bilaterais com os líderes de Bahrein, Qatar, Kuait, Egito e Omã e a inauguração do Centro Global de Combate à Ideologia Extremista, em Riad, capital saudita.

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A escolha da Arábia Saudita, junto com Israel, como os destinos de sua primeira viagem internacional mostra não somente a importância que Trump quer dar aos parceiros tradicionais no Oriente Médio, mas também aos que se unem no discurso contra o Irã, "principal patrocinador do terrorismo", segundo o próprio presidente.

Na última sexta-feira (19), em seu discurso semanal, Trump afirmou que sua viagem serviria para "fortalecer antigas amizades" dos EUA na região e também para "unir o mundo civilizado na luta contra o terrorismo".

"Os destinos mostram que as tradicionais alianças dos EUA com israelenses e sauditas serão novamente prioridade e evidenciam, logo após as eleições no Irã, o rompimento com o processo de reaproximação com Teerã iniciado no governo Obama", afirma Camille Pecastaing, especialista em Oriente Médio da Universidade Johns Hopkins.

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A posição de Trump sobre os principais temas da região, no entanto, está longe de ser clara. Desde a campanha, o republicano mudou seu discurso sobre a Síria, admitindo, após um ataque químico contra civis atribuído ao regime (algo que Damasco negou), que a saída do ditador Bashar al-Assad é agora uma das suas prioridades no país.

Sobre a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos, o presidente disse, em fevereiro, que os EUA não viam mais a necessidade de uma solução de dois Estados. No dia seguinte, sua embaixadora na ONU, Nikki Haley, afirmou que o país ainda apoiava um Estado palestino.

O impacto poderá ser visto no primeiro encontro entre Trump e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, na próxima terça (23), em Belém.

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Mesmo sobre seu principal inimigo na região, há incongruências. Após passar toda a campanha chamando de "desastroso" o acordo nuclear fechado com o governo iraniano, o republicano o manteve intacto até agora.

Para o historiador Aaron Miller, do Wilson Center, que foi conselheiro de secretários de Estado de governos republicanos e democratas sobre o conflito israelo-palestino nos últimos 30 anos, Trump escolheu os dois lugares em que tinha segurança de que seria mais bem recebido --fator fundamental em meio à intensa crise doméstica.

A baixa expectativa sobre resultados também pode ajudar o presidente, aposta Miller. "Ninguém está esperando que ele consiga nada, então ele pode se beneficiar de qualquer resultado positivo", afirma o analista.

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Um dos pontos a seu favor é o anúncio do acordo para a venda, pelos próximos dez anos, de aviões, navios e armamentos à Arábia Saudita no valor de US$ 110 bilhões --numa negociação que foi liderada pelo genro de Trump, Jared Kushner.

'DESAFIO AO ISLÃ'

Segundo Miller, num cenário minimamente controlado, as complicações que podem surgir na viagem são "as que Trump impõe a si mesmo" --como o arriscado discurso deste domingo.

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"Meu conselho a Trump seria que ele não fizesse esse discurso. É muito complicado você chegar a um país e falar para as pessoas sobre a religião delas", diz o historiador. "Além disso, ele tem um eleitorado interno que espera que ele tenha um tom muito duro com os muçulmanos."

Segundo um membro da equipe de Trump ouvido pela rede CNN, o responsável por redigir o discurso que o presidente fará neste domingo é Stephen Miller, o mesmo assessor que escreveu os dois decretos assinados por Trump proibindo a entrada de cidadãos de países de maioria muçulmana no país.

Mesmo se a Casa Branca amenizar o tom da fala de Trump, Aaron Miller diz duvidar que haja uma mudança na forma como o republicano é visto entre os muçulmanos.

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"É preciso olhar todo o comportamento de Trump e de seus assessores até aqui. Não acho que as palavras contarão muito agora."

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