Conservadores prometem cortar deficit e imigração no Reino Unido
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Partido Conservador, da primeira-ministra britânica, Theresa May, lançou nesta quinta-feira (18) seu manifesto com propostas para as eleições gerais de 8 de junho.
O documento promete reduzir a imigração, um dos principais temas discutidos no ano passado durante na campanha do plebiscito sobre o "brexit". A base de apoiadores do projeto vitorioso de saída da UE (União Europeia) tende a ser crítica à entrada de estrangeiros no país.
Os conservadores propõem cortar a imigração para 100 mil pessoas por ano, mas não dizem quando pretendem atingir essa meta. Entre setembro de 2015 e setembro de 2016, a migração líquida (número de imigrantes menos os britânicos que mudaram de país) foi de 273 mil.
Além disso, o manifesto aponta para o rigor fiscal, propondo cortar o deficit orçamentário até 2020. No último ano fiscal, encerrado em março, o deficit de 2,6% do PIB -muito abaixo dos 10% registrados em 2010, quando os conservadores assumiram o poder após a crise financeira global.
Pelo plano fiscal dos conservadores, haverá menos garantias para aposentados e beneficiários de programas sociais. Além disso, diferentemente de propostas apresentadas em eleições anteriores, o partido não prometeu manter intactas as taxas do imposto de renda.
Questionada se suas propostas de governo apontavam para um uma doutrina de governo com menor rigidez ideológica que o Thatcherismo, May afirmou: "Não existe um 'Mayismo'. Existe um conservadorismo sólido, bom, que põe os interesses do país e de trabalhadores comuns no centro de tudo que fazemos no governo."
'BREXIT'
A primeira-ministra também disse que evita pensar nos termos acordados com a UE para deixar o bloco em termos de um "brexit duro" ou "macio", afirmando que buscará o "brexit certo".
"Se falharmos, as consequências para o Reino Unido e para a segurança econômica de trabalhadores comuns serão desastrosas. Se tivermos sucesso, as oportunidades no futuro serão ótimas", afirmou a primeira-ministra.
Em ocasiões anteriores, May havia prometido buscar um no sentido de um "brexit duro", com a possível abandono do mercado único europeu e de outras instituições regionais. Opositores propõem uma saída menos radical.
O manifesto dos conservadores se contrapõe ao plano de governo do Partido Trabalhista, principal força da oposição.
Na terça-feira (16), os trabalhistas lançaram um manifesto indicando a adesão a uma plataforma eleitoral localizada bastante à esquerda, propondo estatizações, a elevação de impostos para os mais ricos e o aumento dos gastos sociais em 48,6 bilhões de libras (R$ 194,2 bilhões).
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, criticou nesta quinta-feira (18) as propostas do manifesto conservador, acusando o partido de "abandonar os aposentados" e de ter falhado em atingir suas metas anteriores de contenção do deficit orçamentário.
PLEITO ADIANTADO
O governo britânico surpreendeu ao anunciar no mês passado o adiantamento das eleições gerais no país para 8 de junho. Pelo calendário original, o pleito deveria ocorrer apenas em 2020.
May justificou sua decisão de convocar os britânicos às urnas para tentar fortalecer sua base de apoio no Parlamento em busca de melhores condições para negociar os termos da saída britânica UE.
Pesquisas indicam que a primeira-ministra desfruta de alta popularidade, o que deve favorecer o Partido Conservadores nas eleições.
Uma enquete da Panelbase divulgada nesta terça-feira (16) mostra que o apoio aos conservadores caiu em um ponto, para 47%, desde a semana passada, enquanto a intenção de voto nos trabalhistas subiu dois pontos, para 33%. Como o sistema eleitoral britânico é distrital, a porcentagem de apoio nas urnas não necessariamente se reflete na quantidade de cadeiras conquistadas no Parlamento.
