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Netflix não pode substituir o cinema, diz Almodóvar em Cannes

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GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL*

CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Presidente do júri da atual edição do Festival de Cannes, o diretor espanhol Pedro Almodóvar foi direto ao ponto: serviços de streaming, como Netflix, não podem substituir as salas de cinema.

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"As plataformas digitais são enriquecedoras, mas devem assumir as diferentes etapas e respeitar as janelas de exibição", disse o cineasta nesta quarta (17), na entrevista coletiva de abertura da mostra.

A afirmação foi uma resposta à polêmica que vai nortear a atual edição do evento: se serviços de vídeo sob demanda podem participar de festivais internacionais sem que seus filmes sejam exibidos em salas de cinema depois.

A Netflix havia anunciado que suas duas produções que competem em Cannes neste ano ("Okja" e "The Meyerowitz Stories") irão estrear diretamente na sua plataformas e não nas salas de cinema, o que enfureceu exibidores tradicionais. Depois da polêmica, contudo, ainda não está claro se a empresa fará um lançamento limitado em salas, como fez com "Beasts of No Nation" (2015).

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"Enquanto eu for vivo, lutarei pela capacidade de hipnose da tela grande", continuou Almodóvar. "Pessoalmente, não imagino dar a Palma de Ouro a um filme que não poderá ser visto nas salas de cinema", disse.

O corpo de jurados desta edição parece elenco de algum filme de Wes Anderson de tão eclético, a começar por seu presidente, seguindo com os atores hollywoodianos Will Smith e Jessica Chastain, os cineastas Maren Ade ("Toni Erdmann"), Park Chan-wook ("A Criada"), o compositor Gabriel Yared e as atrizes Agnès Jaoui e Fan Bingbing.

Smith passou a maior parte da entrevista coletiva fazendo piadas e se apropriando da palavra dos outros jurados. "Eu queria vir sexy para Cannes, mas o calor que está fazendo não deixa", afirmou.

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Num raro momento sério, o ator americano abordou a questão dos serviços de vídeo sob demanda. "Na minha casa, a Netflix não afetou o hábito dos meus filhos de ir ao cinema. Ela até permitiu que eles vissem filmes que nunca veriam normalmente."

*O jornalista GUILHERME GENESTRETI se hospeda a convite do Festival de Cannes

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