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Na Casa Branca, Erdogan pede que EUA 'desconsiderem' curdos na Síria

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Ao ser recebido na Casa Branca pelo presidente Donald Trump, que na última semana aprovou o envio de armamento pesado aos curdos na Síria, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que não vai aceitar que esses grupos sejam "considerados" na região.

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"Não há espaço para organizações terroristas no futuro da nossa região. Ter o YPG [Exército curdo na Síria] e o PYD [Partido Curdo da União Democrática] em consideração na região não será aceito nunca, e seria contra um acordo global que fizemos", disse Erdogan, por meio de um tradutor.

"Nunca devemos permitir que esses grupos manipulem a estrutura religiosa e a estrutura étnica da região tomando o terrorismo como pretexto ou desculpa", completou.

O governo Trump decidiu, na última semana, enviar armamento às Forças Democráticas da Síria, que incluem a milícia curda YPG, para o combate contra a facção terrorista Estado Islâmico no norte da Síria.

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A decisão, no entanto, desagradou a Turquia, que classifica o YPG e o PYD, ligados ao PKK (partido turco dos trabalhadores curdos), como organizações terroristas. Para Erdogan, a preocupação é que os curdos formem uma região autônoma no norte da Síria, e que isso insufle o movimento separatista dos milhões de curdos turcos.

Antes da reunião com Erdogan, Trump disse, ao lado do líder turco, que as discussões entre eles seriam "longas e difíceis".

Na declaração oficial, o presidente americano disse apoiar o país contra o terrorismo. "Apoiamos a Turquia na guerra contra o terror e contra grupos terroristas como o EI e o PKK, e asseguramos que eles não tenham território seguro", afirmou.

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Numa tentativa de reforçar a afinidade entre os dois países, Trump elogiou o histórico de parceria, afirmando que a Turquia foi "um pilar na Guerra Fria contra o comunismo" e "um bastião contra a expansão soviética".

Trump disse ainda que os dois países estavam discutindo a necessidade de revigorar os laços comerciais. "Equipamento militar [americano] foi encomendado pela Turquia e pelo presidente, e estamos assegurando que eles recebem isso rapidamente", afirmou.

Um dos pontos de convergência visível entre os dois líderes foi a defesa da pressão sobre o regime do ditador sírio, Bashar al-Assad, com Erdogan elogiando o ataque dos americanos contra as forças sírias em retaliação a um ataque com armas químicas contra civis.

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"[A ação dos EUA] foi a resposta mais necessária a ser dada contra o regime sírio, em especial após os recentes ataques químicos", disse.

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