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ATUALIZADA - Em tom de ameaça, Trump sugere ter gravado fala com ex-chefe do FBI

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu nesta sexta-feira (12) no Twitter que pode ter gravado suas conversas com o ex-diretor do FBI (polícia federal americana), James Comey, e fez um "alerta" em tom de ameaça para que Comey pense nisso antes de vazar informações.

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"É melhor James Comey torcer para que não haja 'gravações' de nossas conversas antes que ele comece a fazer vazamentos para a imprensa!", escreveu Trump.

A mensagem foi uma aparente reação a uma reportagem do "New York Times" na véspera, com detalhes sobre um jantar, em 27 de janeiro, em que Trump teria pedido a "lealdade" de Comey. Em resposta, o então diretor do FBI teria prometido ao presidente apenas "honestidade".

Nesta sexta, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, se esquivou de todas as perguntas sobre se Trump havia gravado sua conversa no jantar com Comey com a frase "o presidente não tem nada mais a falar sobre isso".

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Spicer ainda negou que Trump tenha, com sua mensagem, tentado intimidar o ex-diretor para que não fale mais sobre a conversa. "Não acho"¦ não foi uma ameaça. Ele simplesmente fez uma constatação. O tuíte fala por si só", disse o porta-voz.

Horas depois, no entanto, deputados democratas enviaram uma carta à Casa Branca exigindo que o presidente esclareça se há gravações das conversas entre Comey e Trump -e, que se houver, as entregue ao Congresso.

"Por causa de tantas declarações falsas dadas por funcionários da Casa Branca nesta semana, somos compelidos a questionar se essas gravações de fato existem", escreveram os deputados.

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Os parlamentares também pediram "todos os documentos, memorandos, análises, e-mails e comunicações relacionadas à decisão do presidente de demitir Comey", e disseram ser um "crime intimidar ou ameaçar qualquer testemunha em potencial".

Após a mensagem de Trump, Comey disse aos senadores que não poderá comparecer a uma audiência na Comissão de Inteligência do Senado na terça (16).

A sugestão de que Trump teria gravado a conversa logo levou à comparação com a decisão de Richard Nixon de instalar um sistema de gravação no Salão Oval.

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A revelação sobre a existência das fitas com conversas privadas acabaram levando à queda de Nixon, em meio ao escândalo do Watergate.

Ainda nesta sexta, Trump condenou as críticas da imprensa sobre o choque de versões da Casa Branca sobre a demissão de Comey.

"Talvez o melhor saída seria cancelar todas as 'entrevistas coletivas' futuras e entregar respostas por escrito para primar pela precisão??"

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Segundo a Casa Branca, Comey foi demitido por ter "errado" ao não recomendar o indiciamento, em 2016, da ex-secretária de Estado Hillary Clinton pelo uso de uma conta de e-mail privada.

O diretor, porém, estava à frente das investigações sobre o possível elo dos membros da equipe de Trump com a Rússia na campanha eleitoral -- e o próprio presidente já deu sinais que esse pode ter sido o real motivo.

Em entrevista à NBC, Trump disse ter pensado "na questão russa" enquanto decidia pela saída do diretor.

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