ATUALIZADA - Após demissão de diretor, FBI e Trump entram em contradição
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ISABEL FLECK
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O diretor interino do FBI (polícia federal americana), Andrew McCabe, contradisse a Casa Branca, nesta quinta (11), afirmando que o ex-diretor James Comey tinha "grande apoio" entre os agentes antes de ser demitido, na última segunda (8).
Ao ser questionado, em audiência no Comitê de Inteligência do Senado, se seu antecessor tinha perdido a confiança dos funcionários do FBI, como afirmou a vice-porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, na véspera, McCabe negou.
"Isso não é correto (...) O diretor Comey tinha grande apoio dentro do FBI e ainda tem", disse McCabe. "Posso dizer com segurança que a vasta maioria dos funcionários do FBI tinha uma uma conexão profunda e positiva com o diretor Comey."
As contradições sobre o processo que levou à queda de Comey foram reforçadas nesta quinta pelo próprio presidente Donald Trump, que, em entrevista à rede NBC, mudou a versão dada pela Casa Branca de que sua decisão fora tomada por recomendação do vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein.
"Eu ia demitir o Comey. Independentemente da recomendação [de Rosenstein], eu ia demitir o Comey", disse Trump, que ainda chamou o ex-diretor de "showboat" (uma pessoa que gosta de aparecer) na entrevista.
Na última segunda (8), Trump havia se encontrado com Rosenstein, e, segundo o governo, o presidente teria ouvido os argumentos do vice-secretário contra Comey.
Na ocasião, teria pedido que o número dois do Departamento de Justiça colocasse no papel os motivos de preocupação com relação ao então diretor do FBI. A carta de Rosenstein foi divulgada para embasar a demissão.
Após divulgado o trecho da entrevista com Trump, Sanders disse não haver incoerência entre as versões, pois o presidente pensava em demitir o diretor "há meses".
"A quarta-feira [quando Comey eu uma informação em audiência no Senado que o FBI depois teve que corrigir] foi a gota d'água, assim como a recomendação do vice-secretário de Justiça."
CONFLITO DE INTERESSES
Na entrevista à NBC, Trump admitiu ter perguntado a Comey se ele estava sob investigação no inquérito sobre a suposta intervenção russa nas eleições e as ligações de sua equipe de campanha com Moscou.
"Eu o questionei. Disse: 'se for possível, você me diz se estou sob investigação?' Ele me disse: 'você não está sob investigação'", narrou o presidente, que disse ter jantado uma vez com Comey e falado com o diretor em outras duas ocasiões por telefone.
Sanders afirmou não haver conflito de interesse no fato de Trump ter questionado o diretor do FBI. Tal comportamento, porém, é incomum.
Comey supervisionava a investigação da relação de integrantes da equipe de Trump com o governo russo durante a campanha à Presidência no ano passado. Agora, caberá ao presidente que pode ser prejudicado pelo inquérito indicar seu sucessor no FBI.
A Casa Branca alega que a demissão foi motivada pelo "erro" de Comey de não pedir o indiciamento da ex-chanceler Hillary Clinton, que disputava a Presidência com Trump, pelo uso indevido de e-mails profissionais.
Informações como a de que Comey teria pedido mais verba para a apuração sobre a Rússia dias antes de ser demitido, porém, reforçam a suspeita de que sua queda se deve a essa investigação.
