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ATUALIZADA - Cresce violência no México contra imigrantes da América Central

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SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Relatório divulgado nesta quinta (11) pela organização Médicos Sem Fronteiras mostra que aumentam os casos de violência e maus tratos a imigrantes centro-americanos que tentam atravessar o México para alcançar a fronteira desse país com os EUA.

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Realizado principalmente em 2015 e 2016, o relatório, que também se baseia em dados coletados por centros de atendimento da MSF no país, mostra que 68,3% dos 467 entrevistados dizem ter sido vítimas de violência em território mexicano.

"Forçados a fugir do Triângulo Norte da América Central: Uma Crise Humanitária Esquecida" pede que os casos tratados hoje pelos governos da região como temas relacionados à imigração ilegal passem a ser vistos como "crise humanitária".

"São resultado da imensa violência interna dos países de onde vêm essas pessoas. É um drama que vem recebendo pouca visibilidade da mídia se compararmos com a atenção dada a conflitos em outras regiões do mundo", disse à reportagem, por telefone, Marc Bosch, coordenador-geral da MSF no México.

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Os três países que formam o chamado Triângulo do Norte (Guatemala, Honduras e El Salvador) têm hoje índices de homicídio comparáveis aos de regiões consideradas formalmente em guerra, devido ao confronto entre gangues formadas nos anos 90 nos EUA por imigrantes ilegais.

Uma vez deportados a seus países de origem, esses criminosos se reagruparam em facções que hoje possuem mais de 70 mil membros e disputam território entre si. Em sua lista de crimes, há extorsão da população local, narcotráfico, sequestro e assassinato.

"O perfil da maioria dos imigrantes ilegais centro-americanos hoje não é o daquele que sai do seu país por questões econômicas, para buscar trabalho ou melhores condições de vida. Mais da metade são pessoas, famílias inteiras, que querem fugir dessa violência", diz Bosch.

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Os entrevistados mencionam terem sofrido ameaças, ataques ou tentativas de extorsão. Um dos principais temores é o de que seus filhos sejam recrutados à força por essas gangues.

A BESTA

Durante a longa travessia por território mexicano, a pé ou a bordo do trem conhecido como "La Bestia", os refugiados topam com violência oriundas de duas forças.

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Uma é a dos cartéis de narcotráfico: "Eles sabem por onde os migrantes vão passar, conhecem rotas oficiais e alternativas, e esperam para roubá-los, atacar as mulheres, sequestrá-los", diz Bosch.

Outra vem do próprio Estado. Para melhorar sua relação com os EUA, sobretudo com a gestão Donald Trump, o governo mexicano tem sido muito mais duro em relação a permissão de entrada dos centro-americanos.

Hoje, de cada dez imigrantes ilegais que cruzam a fronteira entre o México e os EUA, nove são centro-americanos.

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"Uma vez que os mexicanos aumentam os controles na fronteira sul e as deportações, os centro-americanos tentam cruzá-la de forma ainda mais perigosa, expondo-se mais aos ataques dos criminosos", resume.

A violência contra as mulheres também é constante.

Segundo o relatório, a MSF atendeu 166 vítimas de violência sexual, das quais 60% foram estupradas. É comum que as centro-americanas, antes de empreender a viagem rumo ao norte, tomem anticoncepcionais sabendo que podem ser estupradas.

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Mas nem tudo é má notícia, conta Bosch. Durante sua atuação no país, a organização tem notado "envolvimento cada vez maior de grupos da sociedade civil, ligados ou não à Igreja, no México, que montam abrigos ou se organizam para ajudar a alimentar ou atender os imigrantes que necessitam de auxílio". "Isso é bom, mas ainda insuficiente", diz Bosch.

Para ele, a perspectiva da construção do muro ao norte, como prometeu Trump em sua campanha, ou de aumento de restrições migratórias por parte do México serão uma política pouco eficiente.

"Ninguém desiste de migrar caso a situação em seu país de origem seja grave. E a situação no Triângulo do Norte é muito grave. Por isso o imigrante tenta outra via e coloca ainda mais sua vida e a de sua família em risco."

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