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Trump diz agora que decidiu demitir chefe do FBI antes de recomendação

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Em sua primeira entrevista concedida após a queda do diretor do FBI, James Comey, o presidente Donald Trump mudou a versão apresentada pela Casa Branca e disse que sua decisão de demiti-lo já tinha sido tomada antes mesmo da orientação dada pelo vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein.

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"Eu ia demitir o Comey. Independentemente da recomendação [de Rosenstein], eu ia demitir o Comey", disse Trump ao âncora do "NBC Nightly News", Lester Holt, segundo trecho divulgado na tarde desta quinta-feira (11). A íntegra da entrevista, na qual Trump ainda chamou Comey de "showboat" (uma pessoa que gosta de aparecer), vai ao ar nesta noite.

Um comunicado da Casa Branca divulgado na terça (9), dia da demissão, no entanto, afirmava que Trump havia seguido a recomendação de Rosenstein e do secretário de Justiça, Jeff Sessions, ao demitir Comey. A informação foi depois confirmada pelo vice-presidente, Mike Pence.

Na segunda (8), Trump havia se encontrado com Rosenstein, e, segundo o governo, o presidente teria ouvido os argumentos do vice-secretário e pedido a ele que colocasse no papel os motivos de preocupação com relação ao então diretor do FBI.

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Nesta quinta, a vice-porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse não haver inconsistência entre as versões. Segundo ela, Trump já vinha pensando em demitir o diretor "há meses".

"Acho que a quarta-feira [quando Comey foi a uma audiência no Senado e deu uma informação corrigida depois pelo FBI] foi o último empurrão, e [também] a recomendação que ele teve do vice-secretário de Justiça", disse. "Por que estamos discutindo a semântica?", questionou, visivelmente irritada.

Na entrevista, Trump também admite ter perguntado a Comey se ele estava sob investigação -dentro da apuração sobre a possível intervenção russa nas eleições e as ligações de membros de sua equipe de campanha com Moscou.

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"Eu, na verdade, o questionei. Eu disse: 'se for possível, você me diz se estou sob investigação?' Ele me disse: 'você não está sob investigação'", narrou o presidente, que disse ter jantado uma vez com Comey e falado com o diretor em outras duas ocasiões, por telefone.

A jornalistas, Sanders disse não haver conflito de interesse no fato de Trump ter questionado o diretor do FBI se era alvo de investigação -algo bastante incomum.

CONFIANÇA

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A vice-porta-voz também teve que responder sobre as declarações dadas por ela na véspera de que Comey tinha perdido a confiança dos agentes. Nesta quinta, em audiência no Senado, o diretor interino do FBI, Andrew McCabe, disse que seu antecessor tinha "grande apoio dentro do FBI e ainda tem hoje em dia". "Posso dizer com segurança que a vasta maioria dos funcionários do FBI tinha uma uma conexão profunda e positiva com o diretor Comey", afirmou McCabe.

Segundo Sanders, ela e o diretor interino "concordam em discordar". A vice-porta-voz continuou sustentando que muitos agentes queriam a demissão de Comey. "Ouvi isso de incontáveis membros do FBI que estavam agradecidos", disse.

Comey conduzia a investigação para apurar se houve ligações entre membros da equipe de Trump e Moscou durante a campanha à Presidência e se o governo russo interferiu na eleição de 2016.

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A Casa Branca afirma que a demissão de Comey foi motivada por seu "erro" de não recomendar, em julho de 2016, o indiciamento da ex-secretária de Estado Hillary Clinton -que disputava a Presidência com Trump- pelo uso indevido de e-mails.

Entretanto, informações como a divulgada na última quarta, de que Comey teria pedido mais verbas para a apuração sobre a Rússia dias antes de ser demitido, reforçam a suspeita de que a demissão está ligada a essa investigação.

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