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ATUALIZADA - Cracolândia tem confronto, saques e tiros

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LEANDRO MACHADO, EDUARDO GERAQUE, SIDNEY GONÇALVES DO CARMO, BRUNO MIRRA E FERNANDA PEREIRA NEVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cracolândia, no centro de São Paulo, foi palco nesta quarta-feira (10) de tumulto e confronto envolvendo usuários de drogas, guardas municipais e policiais militares, disparo de tiros, barricadas com objetos incendiados e ataques a lojas, que chegaram a ser saqueadas.

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A confusão começou após a Guarda Civil Metropolitana deter um suspeito de furto de celular. A ação resultou em tumulto, e a PM foi acionada.

Com a chegada da tropa de choque, moradores de rua colocaram fogo em pedaços de madeira e pneus velhos nas vias. A PM lançou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra usuários de drogas, que atacaram pedras.

Segundo a polícia, houve disparos de arma de fogo em direção aos guardas, e uma pessoa foi atingida no braço (sendo socorrida e liberada).

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Durante mais de uma hora de tumulto e correria, um ônibus com passageiros chegou a ser invadido, e comerciantes da rua General Osório e da av. Rio Branco fecharam as lojas com medo do confronto.

Um fotógrafo teve seu celular e carteira roubados. Segundo a PM, um homem foi detido sob suspeita de ter atirado e outro por manter uma garrafa com combustível que teria sido usado nas barricadas.

SAQUES

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A confusão foi seguida de ataques e saques a lojas.

"Tinha muita gente, umas 500 pessoas. Eles passaram correndo por aqui e todo mundo começou a fechar as portas", afirmou Valdevi Azevedo, comerciante da Santa Efigênia, tradicional ponto de comércio de eletrônicos.

Há 36 anos no bairro, ele disse que neste ano é a segunda vez que ocorre a mesma confusão. "Há uns meses foi parecido. Mas era noite. Eles quebraram vidraças, mas não entraram na loja", afirmou.

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"A porta estava fechada, mas não teve jeito. Eles arrombaram a loja, jogaram tudo no chão. Levaram mercadorias, quebraram os móveis e roubaram dinheiro do caixa", afirma Eliana Oda, proprietária de uma farmácia e que também teve um dos funcionários agredidos.

Vizinha da farmácia, uma loja de instrumentos musicais foi uma das mais saqueadas. Os invasores derrubaram muita coisa no chão e saíram levando instrumentos musicais, como guitarras elétricas e teclados eletrônicos. "Não deu tempo de baixar a porta", disse Raimundo da Costa.

Sem querer se identificar, alguns lojistas da General Osório disseram que um dos homens que participou dos saques acabou espancado na rua por outras pessoas.

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MORTE

O confronto violento na cracolândia ocorre na mesma semana em que um ex-viciado foi encontrado morto no centro, após ter ido resgatar uma dependente na região.

Para a polícia, a vítima foi morta por traficantes ligados à facção criminosa PCC enquanto buscava uma viciada na cracolândia para interná-la --a pedido da mãe.

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Alvo de ações de Estado e prefeitura nos últimos anos, incluindo as gestões Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT), a cracolândia ainda mantém feira de drogas a céu aberto, com barracas que agrupam moradores de rua, viciados e traficantes.

A gestão João Doria (PSDB) prometeu começar a acabar com a cracolândia ainda neste semestre, em parceria com Alckmin, com a recuperação do espaço e atendimento dos viciados por meio de um novo programa, batizado de Redenção.

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