ATUALIZADA - EUA enviarão armas pesadas a curdos na Síria
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou o envio de armamento pesado aos curdos que lutam contra a facção terrorista Estado Islâmico no norte da Síria, em uma decisão que deve enfrentar forte oposição da Turquia.
As Forças Democráticas da Síria, que incluem a milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo), são o principal parceiro dos Estados Unidos na guerra contra o EI na Síria.
Desde novembro, o grupo vem trabalhando com a coalizão liderada pelos americanos para retomar a cidade de Raqqa, bastião dos extremistas em solo sírio.
"Ontem [segunda-feira], o presidente autorizou o Departamento de Defesa a equipar elementos curdos das Forças Democráticas da Síria como necessidade para assegurar uma vitória clara contra o Estado Islâmico em Raqqa, na Síria", afirmou nesta terça-feira (9) a porta-voz do Pentágono, Dana White.
"Nós estamos conscientes das preocupações de segurança da Turquia, nossa parceira na coalizão", disse White. "Queremos reafirmar ao povo e ao governo turco que os Estados Unidos estão comprometidos em prevenir riscos adicionais e em proteger nosso aliado na Otan", afirmou, citando a aliança militar ocidental.
Para o Pentágono, as Forças Democráticas da Síria "são a única força em solo sírio que podem conquistar Raqqa com sucesso em um futuro próximo".
A decisão não deve agradar ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que considera a milícia curda um braço do grupo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), classificado como organização terrorista por Ancara e também por Washington.
Trump receberá Erdogan nos dias 16 e 17 deste mês, na Casa Branca. Segundo um diplomata americano ouvido pelo jornal "The New York Times", o governo turco foi informado da decisão de Washington. Até a conclusão desta edição, Ancara ainda não havia se manifestado.
Uma lista completa das armas a serem enviadas não foi divulgada, mas o armamento incluiria morteiros 120 mm, metralhadoras, munição e veículos blindados, segundo funcionários da Casa Branca afirmaram à agência Associated Press sob condição de anonimato.
Durante o governo de Barack Obama (2009-2017), as Forças Democráticas da Síria já recebiam apoio, mas limitado, como munições e armas leves. Em janeiro, após a posse de Trump, um porta-voz da coalizão disse que os EUA aumentaram o envio de armas.
As posições no norte da Síria da milícia curda YPG são alvo de bombardeios da Turquia, que enfrenta há três décadas uma insurgência dos combatentes curdos no sudeste do país.
O conflito já deixou cerca de 2.000 mortos e até 500 mil deslocados, segundo um relatório recente da ONU.
