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ATUALIZADA - Virada substitui palco por tablado no centro para evitar multidões

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AMANDA NOGUEIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Neste ano, a Virada Cultural de São Paulo realiza seu maior esforço de descentralização. Nas últimas 12 edições, o evento testou ampliar e reduzir a ocupação do centro conforme demandas do público.

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A primeira edição da gestão João Doria (PSDB), nos dias 20 e 21 deste mês, radicalizará o esvaziamento da região sob o argumento de evitar aglomerações por motivos de segurança, entre outras razões. A mudança também explicita um orçamento enxuto, com nomes pouco conhecidos.

A Virada Cultural foi criada para incentivar a ocupação de espaços públicos, em especial os centrais. Em 2016, o evento reuniu 4,7 milhões de pessoas, sendo 80% da cidade.

Naquele ano, o centro tinha 17 palcos, sem contar outros pontos como o Theatro Municipal. Agora, a região terá 30 tablados, que vão de 42 cm a 1 m do chão, e nenhum palco.

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O perímetro carecerá de atrações de peso -estas migrarão para cinco grandes palcos no sambódromo do Anhembi, na Chácara do Jockey, no autódromo de Interlagos, no Parque do Carmo e na praça do Campo Limpo.

As atrações mais populares do centro ficarão nos quatro maiores tablados. O Cabaré Queer, em frente ao Copan, receberá artistas como Jaloo e Rico Dalasam, e a avenida São Luis terá diversas big bands.

A ideia da Secretaria Municipal de Cultura é que a população passeie pelo local e tenha acesso a uma programação de diversas searas, e não apenas a shows.

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"As pessoas não vinham participar da Virada, vinham assistir a um show específico", disse o secretário municipal da Cultura, André Sturm. "Estamos apostando em uma permanência mais longa, com o público mais espalhado, e não em grandes blocos".

Entre os tablados, que receberão em média 12 atrações e serão dispostos a cada 100 m, haverá uma espécie de circuito, ainda menor, que acompanhará os possíveis fluxos de pessoas durante o evento.

"A gente conseguiu ter muitos eventos no centro, com percursos bem iluminados e tablados com teatro, circo e dança", afirmou Hugo Possolo, curador do evento e integrante do grupo teatral Parlapatões.

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SAIR DO CENTRO

A ideia de descentralização não é nova. "Quando a Virada começou, em 2005, era mais aberta e funcionou em partes. Nos anos seguintes já notávamos que o centro lotava e a periferia ficava mais vazia do que quando recebia shows em outras datas", diz José Mauro Gnaspini, produtor e idealizador da Virada.

Ele esteve à frente dela até 2015 e atribuiu o interesse do público à essência do evento, e não à curadoria. "As pessoas queriam mesmo era ser convidadas para a mesma festa".

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Ele teme que "continue se chamando Virada Cultural, mas mude tanto que não tenha o mesmo espírito".

Para Sturm, a nova proposta não é igual às anteriores. "Estamos apostando em locais que já têm vocação para atrações culturais e as programações são fortes", diz.

Entre os destaques deste ano, estão nomes como Liniker, Daniela Mercury, Alcione, Titãs e Nando Reis.

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O evento acontecerá também em outros locais, como escolas, bibliotecas e teatros.

PATROCÍNIO PRIVADO

Com orçamento de R$ 13 milhões -R$ 2 mi a menos do que o da edição passada-, a Virada deste ano é a primeira a contar com uma fatia de patrocínio privado tão alta.

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Somente do Bradesco, o único patrocinador confirmado até o momento, o evento angariou R$ 2 milhões, cerca de 13% do total.

Mesmo com o orçamento mais enxuto, o número de atrações subiu de 700, em 2015, para 900 neste ano.

A prefeitura ainda aguarda novos investimentos. Até o dia 20, cinco tipos de cotas de patrocínio estão sendo disponibilizadas. Por haver diferentes valores --vão de R$ 300 mil a R$ 4 milhões--, especulou-se a inclusão de espaços VIPs. André Sturm negou essa possibilidade.

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