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Papa prega contra fanatismo no Egito; esquema de segurança esvazia plateia

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YAN BOECHAT, ENVIADO ESPECIAL

CAIRO, EGITO (FOLHAPRESS) - Com helicópteros militares armados de metralhadoras e mísseis sobrevoando o Estádio Militar do Cairo, o papa Francisco celebrou na manhã de sábado (29) uma missa a céu aberto para a pequena comunidade católica do Egito.

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Cerca de 15 mil pessoas, todas previamente convidadas, participaram da celebração e ouviram Francisco voltar a condenar o fanatismo religioso, que tem atingido os cristãos egípcios de forma especial nos últimos anos.

Há três semanas, atentados reivindicados pela facção terrorista Estado Islâmico mataram 47 pessoas em igrejas coptas do país.

"A caridade é a única forma de fanatismo que pode ser aceita, todas os outros tipos de fanatismo não vêm de Deus", disse o papa neste sábado, à plateia também formada por clérigos ortodoxos coptas e religiosos anglicanos, que assistiram à missa em uma espécie de área VIP, no gramado.

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Após a missa, Francisco encontrou-se com padres, freiras e seminaristas e pediu que os católicos sejam uma ponte entre cristãos e muçulmanos. À tarde, voltou a Roma.

Como nos outros eventos no Egito, a segurança reforçada por temores de um novo ataque frustrou a participação popular. Logo nas primeiras horas da manhã, as ruas e avenidas em torno do estádio estavam desertas, e apenas soldados fortemente armados e oficiais da segurança eram vistos na região.

Dentro do complexo esportivo, guardas faziam a segurança portando fuzis, metralhadoras e blindados.

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Agentes da segurança da Presidência Egípcia impediam que qualquer pessoa entrasse na arena com celulares, mesmo que estes estivessem desligados.

Apesar disso, Francisco chegou ao local da missa em um carro sem blindagem e com as janelas abertas. Já dentro do estádio, desfilou no papamóvel pela pista de atletismo, em um curto e rápido trajeto, acenando aos fiéis.

Por conta dos procedimentos de segurança, mais da metade dos assentos do estádio estava vazia. "É uma pena que tenham impedido mais gente de vir, os convites eram muito poucos nas igrejas", dizia Rafik Makar, de 49 anos, que conseguiu levar os dois filhos ao estádio.

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Em sua homilia, Francisco manteve o tom do dia anterior, quando condenou o fanatismo religioso e o terrorismo. Voltou a defender que apenas a tolerância religiosa pode manter a paz entre muçulmanos e cristãos. "A verdadeira fé nos leva a proteger os diretos dos outros com o mesmo zelo e entusiasmo que defendemos os nossos", disse.

A visita foi a primeira de um líder religioso católico ao Egito em quase 20 anos. O último papa a ir ao país foi João Paulo 2º, em 2000.

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