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Maduro convoca militares e milicianos horas antes de protestos na Venezuela

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SÃO PAULO,SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocou nesta terça-feira (18) os militares e as forças de segurança às ruas horas antes de protestos a favor e contra seu governo, que ambos dizem que serão os maiores em um mês.

Em cadeia nacional de rádio e televisão, o chavista ativou o chamado Plano Zamora, que envolve as Forças Armadas, a Guarda Nacional, a Polícia, a Milícia (força armada civil do Estado) e os coletivos (milícias armadas chavistas).

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Sob o comando-geral dos militares, os cinco grupos serão responsáveis por garantir os atos do chavismo e por conter a chegada da oposição a áreas como o centro de Caracas, onde estão as sedes dos três Poderes venezuelanos.

De acordo com ele, o objetivo é impedir o uso da violência pelos adversários e "a intenção dos EUA de tomar de assalto o poder político na Venezuela", em referência à sua teoria de que é vítima de um golpe de Estado.

E disse que a situação agora é diferente de 2002, quando a oposição tentou derrubar Hugo Chávez (1954-2013). "Hoje vamos ao combate, combater os golpistas, com o povo e as Forças Armadas unidas a favor da Revolução Bolivariana", disse.

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Maduro afirma que o Departamento de Estado e o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, desataram o roteiro para derrubá-lo. O primeiro seria o comunicado do governo americano sobre as manifestações no país.

Nele, Washington reitera o chamado por eleições, a liberação de presos políticos, o respeito à Assembleia Nacional e o fim da crise humanitária e deplora a violência, mas menciona a punição os culpados pela repressão aos atos.

"Os responsáveis pela repressão de manifestações pacíficas e por minar as instituições e as práticas democráticas, e por graves violações dos direitos humanos, serão responsabilizados [...] pelo povo [...], assim como pela comunidade internacional", diz a nota.

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O segundo caso é a declaração de Borges pedindo que as Forças Armadas "reflitam sobre o que estão fazendo com os cidadãos", que o presidente interpretou como uma convocação aos militares para aderirem à sua destituição.

Em nota, a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática disse que o presidente quer intimidar os manifestantes com o envio das forças e criminalizar as mobilizações opositoras. E voltou a chamar seus seguidores para protestar.

"Mais uma vez [Maduro] insiste em denunciar guerras imaginárias e conspirações inexistentes, com o único objetivo de tentar intimidar o povo venezuelano", afirma a união de partidos, que repudiou as declarações sobre Borges.

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A convocação das forças aumenta a preocupação pela violência nas manifestações, que em 20 dias deixaram seis mortos e mais de 300 feridos. Outras 538 foram detidas, sendo que 241 foram colocadas em prisão preventiva, segundo a ONG Foro Penal.

TRUMP

Para Maduro, as ações da oposição e de países das Américas que se colocaram contra seu governo são a "aceleração da conspiração e da agressão ao país", impulsionada pela vitória de Donald Trump nas eleições americanas.

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"Há uma razão determinante: é a ascensão de um grupo de extrema direita. Voltaram os métodos extremistas", disse. "A agressão dos governos da direita latino americana fracassada, a agressão do Departamento de Estado".

O presidente anunciou que as forças de segurança prenderam em hotéis de Caracas dezenas de pessoas suspeitas de serem pagas pela oposição para fazer atos violentos, que teriam vindo de outros Estados e da Colômbia.

Ele, porém, não apresentou provas. O mandatário ainda disse que seus rivais não têm capacidade de governar a Venezuela por não serem autônomos devido à vinculação com os EUA e a terem recebido "milhões de dólares de centros do poder mundial".

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"Eles fracassaram na Assembleia Nacional [dominada pela oposição desde 2016] e reduziram a oposição venezuelana a nada. Agora usam a violência e ajuda da intervenção dos EUA. A Assembleia não é mais nada, afundaram-na no esterco, na ganância e na loucura".

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