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ATUALIZADA - Antes de anúncio oficial, Erdogan já declara vitória em referendo turco

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

ISTAMBUL, TURQUIA (FOLHAPRESS) - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou vitória no plebiscito de domingo (16), apesar de o resultado ainda não ser oficial.

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Ele telefonou a seus aliados para celebrar o resultado, com o qual aprovou por uma margem estreita 18 emendas à Constituição, concentrando ainda mais poderes em suas mãos.

Simpatizantes do partido governista AKP (Justiça e Desenvolvimento) comemoraram com fogos de artifício.

O resultado, no entanto, foi contestado pela oposição, que pediu a recontagem de 37% das cédulas eleitorais.

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O "sim" teve 51% dos votos, com 99% das urnas apuradas e 83,9% de participação, segundo a agência de notícias estatal Anadolu.

Com o voto, a Turquia transformou sua democracia parlamentar em um sistema presidencial, extinguindo o cargo de premiê. As mudanças entram em vigor nas próximas eleições, em 2019. É a maior alteração política desde o início da república, em 1923, e o fim do califado, em 1924. O presidente poderá, entre outras medidas, nomear juízes à mais alta corte e aprovar o orçamento. O Parlamento deixará de fiscalizar os ministros.

Erdogan está no poder desde 2003, quando era primeiro-ministro. Ele tomou posse como presidente em 2014 e poderá se reeleger mais duas vezes -totalizando quase 30 anos de mando.

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A campanha do governo insistiu em que essas medidas favorecem o país, ao ampliar as prerrogativas do Executivo em tempos de crise. O presidente poderá, por exemplo, impor reformas econômicas, facilitando um maior investimento externo.

"Acredito que nosso povo vai abrir o caminho para um desenvolvimento muito mais rápido", Erdogan afirmou em Istambul, diante das urnas.

A oposição, no entanto, denuncia essas transformações como uma grave guinada ao autoritarismo, em um país que recrudesceu seu poder nestes últimos anos.

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A aprovação do plesbiscito por uma margem pequena levará a atritos políticos.

O CHP (Partido Republicano do Povo), principal força de oposição, afirmou que vai contestar a 37% das cédulas, que não teriam o carimbo oficial necessário para valer na contagem.

O "sim" venceu predominante no interior turco, em regiões governistas como Konya. Mas as três maiores cidades -Istambul, Esmirna e a capital, Ancara- rejeitaram as emendas à Carta.

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O "não" prevaleceu na costa do mar Egeu, no oeste, e nas regiões curdas, no sudeste. A negativa também venceu na Trácia, nome da parte europeia da Turquia.

DEMOCRACIA

"Esse referendo é uma piada", diz Anil Alçin, 46, que fez campanha pelo "não" na região asiática de Kadikoy, no Bósforo. "Erdogan já tem sua ditadura e já pode fazer o que quiser."

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O presidente tem, segundo a oposição, feito demasiado. Depois de uma tentativa frustrada de golpe de Estado, o governo prendeu cerca de 45 mil pessoas e removeu 130 mil de suas funções públicas. Mais de cem jornalistas foram presos e veículos críticos foram encerrados.

"As pessoas decidiram se querem que a Turquia seja governada democraticamente ou não", diz Levent Piskin, advogado do opositor Selahattin Demirtas, detido desde novembro de 2016.

Demirtas é o co-líder do partido pró-curdo HDP (Partido Democrático dos Povos), uma das principais forças críticas no país. A sigla foi desmontada nos últimos anos pela repressão.

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"A pressão aos membros do HDP está diretamente relacionada a este referendo e seu conteúdo", afirma Piskin. "O governo é nacionalista, islâmico e conservador."

Os atritos dividiram a sociedade a respeito do futuro do país. A tensão foi especialmente marcada em Diyarbakir, no sudeste. Três pessoas foram mortas em um tiroteio em uma escola onde a população depositava suas cédulas eleitorais. Não estava clara a relação entre esse incidente e o referendo.

A região sudeste concentra a população curda, em crescente embate com as forças de segurança -uma razão para que Erdogan tenha apresentado o referendo como um voto na estabilidade do país, com mais poderes para lidar com ameaças.

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"O Exército está dividido", diz Hamza Topçu, 23, partidário do "sim". Topçu, parte de um coletivo de jovens pró-governo, diz que a vitória no referendo irá permitir o crescimento econômico e a independência do Judiciário -apesar de Erdogan poder nomear parte dos juízes.

Os partidários do governo discordaram da pergunta da reportagem sobre se isso não significaria demasiados poderes para uma só pessoa.

Para Ali Said Kose, 26, o termo de comparação são os governos europeus, dos quais a Turquia tem progressivamente se afastado, alinhando-se à Rússia e ao Irã.

"Mas os governos europeus também não têm presidentes? Eles são anti-democráticos por isso?", pergunta.

EUROPA

A vitória de Erdogan amarga suas já complicadas relações com a União Europeia, impactando toda a região. A Turquia é um dos principais membros da Otan, a aliança militar ocidental.

Esses laços já foram afetados nos últimos meses pela campanha do governo. Alemanha e Holanda proibiram comícios oficiais, no que a Turquia descreveu como 'práticas nazistas'. As relações de alto nível com Amsterdã foram rompidas.

Com a vitória do "sim", a Turquia está ainda mais longe de sua adesão à União Europeia, uma candidatura há tempos desacreditada.

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