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Ação do governo limita campanha pelo 'não'

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

ISTAMBUL, TURQUIA (FOLHAPRESS) - O deputado Baris Yarkadas se reúne com sua equipe em Istambul antes de começar o último dia de campanha.

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Diante do estreito do Bósforo, planeja sua derradeira oportunidade de convencer eleitores a rejeitar o plebiscito. A partir do entardecer de sábado, na véspera do voto, os comícios serão proibidos.

Não é um esforço ordinário, em uma nação que vive em estado de emergência desde julho. "É bastante difícil fazer campanha nestas condições", afirma. Yarkadas é membro do CHP (Partido Republicano do Povo), a principal força de oposição.

O estado de emergência em vigor facilita, por exemplo, a detenção de ativistas e restringe as manifestações.

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A campanha do "não" diz enfrentar, ainda, todo o aparato do governo, investido em aprovar o plebiscito.

"O governo tem as ferramentas do Estado à sua disposição", afirma Yarkadas. Ele estima que a oposição só teve acesso a dois canais de televisão e a três jornais, entre dezenas de veículos.

Há denúncias de que o governo também tenha deslocado prefeitos, governadores e policiais para sua campanha nas províncias do interior, intimidando vilarejos com a ameaça de cortar serviços e subsídios agrícolas.

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"Nós resumimos a campanha assim: o governo está concorrendo contra o povo, tentando impôr o 'sim'", diz.

Yarkadas afirma que, em condições desfavoráveis, a oposição conseguiu disputar contra a burocracia porque se deslocou às redes sociais, onde tem mais liberdades.

"Quando perdemos o acesso à televisão, criamos nossos próprios canais na internet", diz. "Fizemos filmes para o Facebook, enviamos mensagens via Whatsapp."

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PODERES

A campanha foi também às ruas distribuir folhetos. A reportagem não testemunhou abuso policial contra os manifestantes, que ergueram suas próprias tendas, mas alguns eleitores, como Kenan Turhan, 31, preferiam falar em voz baixa. "Se o 'sim' ganhar, vamos ter uma ditadura", afirma o engenheiro civil. "Não entendo por que o governo quer mudar o sistema, se já tem tantos poderes hoje." É um modelo bastante repressivo com tendência a se agravar, diz Henry Barkey, diretor do programa de Oriente Médio do Centro Woodrow Wilson e ex-integrante do time de planejamento de políticas do Departamento de Estado americano.

"O governo inteiro apoiou o referendo, sem poder levantar a voz contra, e o fato de que o 'não' tenha tamanho apoio indica a existência de uma oposição forte", diz. "Mesmo pessoas que gostam do governo não querem dar tanto poder ao presidente."

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"Com o 'sim', ele poderá demitir ministros e nomear juízes, e a separação entre os poderes desaparecerá."

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