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Preparada há décadas, Seul vê ameaça de guerra sem preocupação

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ALENCAR IZIDORO, ENVIADO ESPECIAL

SEUL, COREIA DO SUL (FOLHAPRESS) - Terça-feira, 11 de abril. "Nesta sala, ficamos isolados contra qualquer ataque", afirma YoungGye Yang, responsável pelo centro que monitora as câmeras da rede de transporte de Seul, logo após se apresentar à reportagem e a uma equipe da Prefeitura de São Paulo.

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Sexta-feira, 14 de abril. "Fiquem informados: se a guerra explodir fica desmarcado", escreve uma jornalista para um grupo de colegas que agendava um encontro para este sábado (15).

Nos dois casos, as mensagens podem assustar quem chega à Coreia do Sul. Na capital sul-coreana, no entanto, são sinais rotineiros, resultado de décadas de preparo para um eventual conflito, independentemente dos mais recentes acontecimentos na região.

Nos últimos dias, a tensão na península Coreana se agravou após rumores sobre a preparação de um teste nuclear pela Coreia do Norte. Os Estados Unidos enviaram um porta-aviões para a área, e o presidente americano Donald Trump falou em "resolver" o problema do país.

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Pyongyang reagiu, e o vice-chanceler Han Song Ryol disse que o país está pronto "para a guerra" se o republicano assim quiser.

A troca de ameaças, que faz da Coreia do Sul um alvo potencial, pouco se refletia porém, neste sábado (15), em apreensão por parte dos moradores de Seul.

Enquanto os vizinhos da Coreia do Norte apresentavam novos mísseis de longo alcance em desfile de comemoração ao 105º aniversário do fundador do país, os sul-coreanos estavam mais preocupados em tirar fotografias de cerejeiras floridas, que estão no final da temporada, observou o motorista de táxi Sung Lee.

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Nas ruas, pontos de lazer cheios como sempre, ruas congestionadas como sempre e agências que organizam passeios para a fronteira com a Coreia do Norte, na zona desmilitarizada, agendavam as visitas de turistas também como sempre.

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), esteve desde quarta-feira (12) até este sábado em Seul, a menos de 200 quilômetros de Pyongyang, em uma visita com o objetivo de buscar investidores e experiências exitosas da metrópole para replicar na capital paulista.

Apesar da tensão crescente refletida no noticiário internacional, não houve nenhum alerta para a equipe de segurança do tucano.

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A menção ao isolamento da sala de controle do sistema de transporte, que parece um bunker protegido por largas portas blindadas, foi apenas uma demonstração de como a cidade sempre esteve preparada para tudo, segundo Yang.

'EXAGERO'

"Nunca vi nenhum coreano preocupado. Durante minha vida escolar, minhas provas nunca foram canceladas por causa de ameaça e meus professores nunca usaram nenhuma aula para falar sobre esse assunto", contou à reportagem a brasileira Jessica Cantieri, 26.

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Assistente na área de ciências e tecnologia da embaixada, ela mora em Seul desde 2012, quando chegou para fazer intercâmbio e mestrado.

"A mídia internacional faz anúncios assustadores e, quando você pergunta para algum coreano, eles só respondem: 'sempre foi assim'", relata ela.

"Em 2012, vi vários estudantes internacionais indo para Hong Kong com medo das ameaças, e meus professores nunca entenderam porque os alunos estavam saindo, achavam um exagero", completou.

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Carlos Gorito, 30, morador da Coreia do Sul há nove anos e que cuida da área de educação na Embaixada do Brasil, diz que toda a população sabe que as estações de metrô podem servir como bunker em caso de emergência, assim como a sede das subprefeituras.

"Mas escutei de vários amigos que não estão nada preocupados com a Coreia do Norte", afirma.

Segundo ele, a preocupação de alguns jovens não é um ataque propriamente dito, mas a possibilidade de alguns deles, reservistas, serem convocados ao Exército.

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PRIORIDADES

No Naver, um popular portal de buscas na internet da Coreia do Sul, à frente do Google, as palavras mais procuradas na manhã deste sábado davam um termômetro da situação no país.

O filme Guardiões da Galáxia 2 despontava em primeiro lugar. O ator Yoon Je-moon, pego pela lei seca, em segundo. Só em terceiro aparecia a Coreia do Norte, com referências ao feriado pela data de nascimento do fundador do país.

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