Governo estadual culpa operação padrão de polícias
LEANDRO MACHADO E DANILO VERPA, ENVIADOS ESPECIAIS
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Angelo Gioia, secretário de Defesa Social de PE, culpa operações padrão das polícias Civil e Militar como uma das principais causas do aumento de crimes no Estado.
O secretário, ex-delegado da Polícia Federal, assumiu o cargo em outubro do ano passado, a convite do governador Paulo Câmara (PSB).
"Tivemos paralisações brancas da Polícia Civil, da Científica e, depois, da Polícia Militar. Evidentemente, isso traz um custo operacional."
Giogia critica a forma como são negociados reajustes salariais das polícias. Para ele, governos estaduais não devem negociar diretamente com associações de policiais, e sim com comandantes.
"Essa negociação com associações trouxe um grande prejuízo para a tropa, porque você tira o comando dos oficiais. Isso enfraquece a relação hierárquica e de disciplina."
Eduardo Campos (PSB), que governou PE entre 2007 e 2014, costumava se sentar à mesa com associações de PMs para negociar reajustes.
Sobre o aumento dos homicídios, Giogia afirma que os dados "preocupam Pernambuco". "Estamos num trabalho intenso, seja a Polícia Civil como a Militar, focados na redução desses números. Nós precisamos focar as investigações em grupos de extermínio e quadrilhas de tráfico de drogas, de maneira a reduzir a criminalidade, prendendo essas pessoas".
O secretário afirma que 89 pessoas envolvidas com tráfico e com grupos de extermínio foram presas -mais de 20 operações da Polícia Civil foram realizadas neste ano. Ele diz que a PM vai aumentar o policiamento em áreas com alto índice de assassinatos.
Gioia alega que cerca de 16% dos assassinatos são esclarecidos em Pernambuco. "Ainda é pouco, mas estamos acima da média nacional".
O secretário diz que o programa Pacto Pela Vida segue valendo como forma de reduzir os homicídios. "Ele existe e avança, mas ele permite também ajustes e correções. É isso que está sendo feito."
Na quarta-feira (12), o governo anunciou um investimento de R$ 280 milhões em segurança pública nos próximos dois anos. Também informou que 4.800 novos PMs serão incorporados até 2018.
