'Realidades são diferentes', diz gestão Alckmin
ALENCAR IZIDORO, ENVIADO ESPECIAL
SEUL, COREIA DO SUL (FOLHAPRESS) - A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) minimiza a expansão comparada da rede de metrô em São Paulo e Seul sob a alegação de que elas têm realidades, inclusive econômicas, "completamente diferentes".
"A cidade de São Paulo conta com a maior e mais eficiente malha metroviária do Brasil, transportando 4,5 milhões de usuários por dia, o equivalente a mais de 70% das pessoas que usam todos os outros sistemas de transporte sobre trilhos no país inteiro", diz a companhia, em nota.
O Metrô afirma que, nos últimos 20 anos, "somente com investimentos provenientes de recursos próprios e financiamentos bancários", construiu e entregou 34,2 km e 30 estações de metrô. "Ao contrário de outros Estados brasileiros, São Paulo nunca recebeu recursos federais para as obras de expansão , somente financiamentos que são pagos pelo contribuinte paulista por meio da arrecadação de impostos", diz.
Segundo a UITP (associação internacional de transporte público), a China inaugurou só em 2016 mais de 480 km de metrô.
Diante dos seguidos atrasos em projetos recentes, a gestão Alckmin cita que houve abandono de obras por parte de consórcios contratados, como na segunda etapa da linha 4 e a implantação do monotrilho da linha 17. "Os serviços só foram retomados após o Metrô rescindir contratos e até mesmo relicitar as construções", diz.
A companhia diz que no metrô de Seul há "subsídio direto a fundo perdido do governo para garantir a sua expansão, sendo que 40% da construção é paga diretamente pelo governo central e 20% pela iniciativa privada". Afirma ainda que "as rígidas leis ambientais, os complexos processos de desapropriação e o contínuo e rápido adensamento da cidade de São Paulo também interferem no desenvolvimento dos projetos e na realização das obras".
"Portanto, qualquer comparação entre o metrô de São Paulo e o sul-coreano é, no mínimo, um exercício pouco recomendável para quem se propõe a dar informações sérias e fundamentadas em bases concretas", afirma a companhia.
João Doria (PSDB), que andou de metrô em Seul nos últimos dias, diz não haver perspectiva de a prefeitura voltar a injetar recursos na rede. "Eram outros tempos", diz, sobre a destinação de R$ 1 bi do município para essas obras na gestão Gilberto Kassab (PSD). O tucano afirma, porém, que "a prefeitura tem contribuído com terreno".
