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ATUALIZADA - EUA e Rússia dizem que relação desandou

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Pouco antes de receber o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, em Moscou nesta quarta (12), o presidente russo, Vladimir Putin, disse que as relações entre os dois países pioraram desde que Donald Trump chegou à Casa Branca, em janeiro.

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A visão negativa sobre o estado da relação foi corroborada por Tillerson depois do encontro, que disse haver um "baixo nível de confiança" entre Rússia e EUA.

"Pode-se dizer que o patamar de confiança no nível de trabalho, sobretudo em questões militares, não melhorou, em vez disso se deteriorou", disse Putin à mídia russa.

Horas depois, no entanto, Tillerson afirmaria que "as duas maiores potências nucleares do mundo não podem ter esse tipo de relação".

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O momento já era delicado entre Washington e Moscou devido às investigações sobre a influência russa nas eleições de 2016 e a questionamentos enfrentados pelo governo Trump sobre possíveis contatos de seus assessores com o governo Putin.

A tensão entre os dois países subiu consideravelmente após o ataque americano, na última semana, a uma base aérea do regime sírio, aliado da Rússia -- o primeiro promovido por Washington contra um alvo do regime desde o início da guerra, em 2011.

Na Casa Branca, após se reunir com o secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental), Jens Stoltenberg, Trump disse que seria "fantástico" se os EUA pudessem "se dar bem" com a Rússia: "Neste momento, não estamos nos dando bem mesmo".

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O presidente americano ainda disse que é "certamente possível" que o governo russo soubesse do ataque químico que matou pelo menos 80 pessoas numa cidade síria no último dia 4 e que os EUA atribuem ao governo de Bashar al-Assad. Damasco nega participação na ação.

"Eu gostaria de pensar que eles não sabiam, mas certamente eles podem ter [tido conhecimento]. Eles estavam lá", disse Trump. A origem do ataque químico teria sido na base aérea depois atingida pelos americanos.

Na entrevista coletiva que concederam lado a lado em Moscou, Tillerson e o chanceler russo, Sergei Lavrov, discordaram sobre o papel de Assad no ataque químico.

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Enquanto o americano afirmou que seu governo tem certeza de que a ação foi "planejada, dirigida e executada" pelo regime, Lavrov disse ser preciso uma investigação.

"Claramente, nossa visão é a de que o reino da família Assad está chegando ao fim", disse Tillerson. Trump, por sua vez, chamou o ditador sírio, nesta quarta, de "animal" e de "açougueiro", mas descartou, em entrevista à Fox Business, um envolvimento maior na guerra síria por ora.

A posição de Trump, que defendia desde a campanha que a prioridade dos EUA na Síria deveria ser destruir a facção terrorista Estado Islâmico, e não depor Assad, mudou substancialmente desde o ataque químico.

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Tillerson, que vinha adotando um tom mais brando em contraponto com a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, endureceu o discurso durante a viagem à Rússia.

Apesar das discordâncias verbalizadas após duas horas de reunião entre os chanceleres, Lavrov disse que os dois governos concordaram em criar uma força-tarefa para tratar das questões "irritantes" que atrapalham os contatos bilaterais desde Obama.

OBSOLETA

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Em contraste com a relação entre Washington e Moscou, Trump e Stoltenberg se esforçaram para demonstrar sintonia após duras críticas do republicano à Otan durante a campanha.

"Eu disse que [a Otan] era obsoleta. Não é mais obsoleta", disse o presidente, que afirma ter chamado a atenção da aliança para "fazer mais" no combate ao terrorismo.

"Eu reclamei disso há muito tempo, e eles mudaram e agora eles combatem o terrorismo", disse Trump.

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O secretário-geral da aliança, por sua vez, apoiou a ação militar dos EUA contra a Síria dizendo que o ataque químico "não pode ficar sem resposta". Stoltenberg também agradeceu ao republicano por cobrar de outros membros da aliança que cumpram suas obrigações financeiras.

O encontro ocorre antes da cúpula da Otan em maio, em Bruxelas, na qual Trump já confirmou presença.

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