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Polícia faz reconstituição da morte de adolescente dentro de escola no Rio

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LUIZA FRANCO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Agentes da Delegacia de Homicídios do Rio realizaram, nesta quarta-feira (12), a reprodução simulada da morte da menina Maria Eduarda da Conceição, 13, que foi baleada dentro da escola municipal onde estudava, em Acari, zona norte do Rio, em confronto entre policiais e criminosos.

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O objetivo da polícia é reconstituir a cena para ajudar a identificar de onde partiram os tiros que a atingiram.

A confirmação virá do laudo de confronto balístico. Segundo a Globonews, ele aponta que o projétil retirado da coxa da estudante foi disparado pela arma que estava com o cabo Fábio de Barros Dias.

Dias e o sargento David Gomes Centeno, 38, foram indiciados por homicídio doloso por duas outras mortes no mesmo dia em que Maria Eduarda foi atingida, em 30 de março. Os PMs foram flagrados atirando em dois suspeitos feridos e desarmados.

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Luciana Barbosa Pires, advogada dos dois policiais, que foi à reconstituição, disse que eles corriam risco de ser baleados e reagiram num reflexo de autodefesa ao matar os dois suspeitos.

Os dois policiais não participaram da reprodução simulada por orientação da defesa. "Poderia haver retaliação de traficantes e da comunidade. Foi uma decisão por segurança", disse Pires.

Sobre a morte de Maria Eduarda, as autoridades ainda não chegaram a uma conclusão.

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"Ainda estamos na fase de investigação, mas tudo indica que os culpados responderão por dolo [quando há intenção de matar] ou dolo eventual. Quando você atira contra uma escola aberta durante o dia, assume o risco do que acaba acontecendo", diz Homero Freitas Filho, da 23ª Promotoria de Investigação Criminal.

Para o advogado da família de Maria Eduarda, a reprodução provará que os tiros partiram dos policiais. Pires refuta, dizendo que é preciso aguardar a divulgação do laudo de confronto balístico.

Debaixo de chuva, moradores da região e curiosos assistiram à ação da polícia. Entre eles, uma das irmãs da vítima, Bianca, 20. "Estou aqui só para dar força para meus pais. Nada disso trará ela de volta. Nossa vida está muito difícil", diz ela.

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Também estava presente Adriana Pires, 37, mãe de um dos mortos na chacina de Costa Barros, bairro vizinho, em 2015. Na ocasião, os jovens foram mortos dentro de um carro com mais de 110 tiros, disparados por policiais militares. Os quatro PMs envolvidos ainda não foram julgados. Eles disseram que houve troca de tiros.

"A gente vê essa cena [da reconstituição] e pergunta 'quem será o próximo? Sei que nem todo policial é assassino, mas aqui, estamos à mercê deles", diz Adriana. Assim como a família de Maria Eduarda, ela também entrou com ação pedindo indenização ao Estado.

O bairro de Acari tem alguns dos maiores complexos de favela da cidade e é atendido por um batalhão policial com histórico de violência. O batalhão policial 41º, que atende a região, respondeu por 20% das 182 mortes de janeiro e fevereiro deste ano em decorrência de ações policias no Estado -os autos de resistência, casos em que policiais supostamente teriam agido em legítima defesa.

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