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Doria quer importar ônibus digital e usar Bilhete Único para pagar táxi

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ALENCAR IZIDORO, ENVIADO ESPECIAL

SEUL, COREIA DO SUL (FOLHAPRESS) - Câmeras em todos os ônibus da cidade, tempo de espera das linhas exibido em painéis eletrônicos nos pontos de parada e rastreamento da forma como dirige cada motorista do transporte coletivo para vigiar quem excede a velocidade e faz freadas ou curvas bruscas.

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Para os passageiros, a opção de uso do Bilhete Único em lojas e no pagamento de táxis e aplicativos como Uber.

Esse cenário está sendo traçado pela gestão João Doria (PSDB) na licitação que deve ser lançada no mês que vem para reformular os contratos dos ônibus de São Paulo pelos próximos dez anos.

Ele já é realidade em Seul, metrópole que será visitada a partir desta quarta (12) pelo tucano, que pretende "importar" experiências de sucesso que levaram ao reconhecimento internacional da qualidade do transporte coreano.

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A reportagem apurou que as mudanças listadas acima já estão consolidadas no plano da gestão Doria, que quer delegar parte dessas exigências às próprias empresas de ônibus. Elas economizarão porque poderão retirar os cobradores dos veículos, mas terão que assumir novas atribuições, como a manutenção de terminais e provavelmente também de corredores de ônibus.

A prefeitura testará inclusive câmeras inteligentes, capazes de dar alerta para comportamentos atípicos dentro dos ônibus -como passageiros pulando a catraca ou entrando pela porta traseira. Um equipamento desses já foi instalado e entrará em funcionamento nas próximas semanas.

Apesar de mirar a moderna tecnologia, a gestão Doria evita se comprometer com obras em corredores de ônibus que representam boa parte do êxito do modelo coreano.

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TEMPO REAL

Em Seul, a reportagem visitou nesta terça (11) a central de controle que servirá de inspiração para Doria.

Além da rede de metrô, todos os mais de 8.000 ônibus da capital coreana são acompanhados em tempo real. A localização, a velocidade e a quantidade de passageiros de cada veículo são informadas on-line. O sistema detecta até se algum motorista desobedecer a parada obrigatória no ponto, queixa comum de passageiros paulistanos.

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"Se ocorre qualquer interferência no caminho do ônibus, como um acidente, ficamos sabendo imediatamente, e ele pode desviar a rota para não atrasar", exemplifica YounGye Yang, responsável pelo centro de informações de transporte do governo metropolitano de Seul.

Para os usuários, um dos principais benefícios é a confiabilidade do chamado "esperômetro" -demora de cada linha exibida em painéis eletrônicos nos pontos e atualizada a cada 40 segundos.

Yang diz que a precisão é de 94%, permitindo ao passageiro se programar. Em oito trajetos de ônibus feitos pela Folha, houve 100% de acerto.

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Esse tipo de painel eletrônico para informar os tempos de espera de cada linha já chegou a ser implantado há mais de uma década em parte dos corredores de ônibus de São Paulo.

A tecnologia, porém, fracassou: além da quebra de equipamentos, a eficácia foi pequena, atribuída a "buracos" na forma defasada de transmissão de dados dos GPSs instalados na frota.

Os pontos de ônibus high tech em Seul representam 40% do total --e, apesar de tecnológicos, têm aparência simples. Um acordo com a Samsung prevê que a instalação de cada um deles, ao custo de US$ 15 mil, permita à empresa a exploração de parte do espaço com publicidade.

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BILHETE ÚNICO

Outro modelo exitoso em Seul é a gestão do T-Money --Bilhete Único local, que se consolidou como forma de pagamento não só de ônibus e metrô, como em lojas e táxis, que têm mais de um terço das corridas pagas com esse cartão.

A ideia de Doria é fazer uma concessão do Bilhete Único paulistano à iniciativa privada, que poderia explorar a base de clientes e transformá-lo num tipo de cartão de crédito. Na capital coreana, isso é feito de forma compartilhada pelos poderes público e privado.

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O plano da gestão tucana de expandir a utilização desse cartão para táxis e Uber foi discutido no último ano da gestão Fernando Haddad (PT), mas não saiu do papel.

VIAGEM

A ida de Doria a Seul é a segunda missão internacional do tucano. Em fevereiro, ele fez uma turnê pelo Oriente Médio. Além de buscar experiências exitosas, o prefeito pretende atrair parcerias e investidores para seu plano de privatizações e concessões.

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Essa visita ocorre num momento de turbulência política na Coreia do Sul devido ao impeachment e à prisão da presidente, num escândalo com repercussão equivalente a uma "Lava Jato coreana".

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